Entenda o conceito de medicina integral


Entenda o conceito de medicina integral
por Alex Botsaris

 

Uma tendência vem surgindo recentemente na medicina é a chamada “medicina integral”. Essa tendência é um movimento que se contrapõe à estrutura cartesiana e compartimentalizada da medicina convencional, que divide o ser humano e partes para aumentar sua eficiência. A medicina integral parte do pressuposto que o ser um humano é um todo indivisível, portanto nenhuma doença pode ser entendida e tratada sem que essa visão da integridade do indivíduo seja mantida. Por isso o modelo de especialidades e sub-especialidades da medicina estaria condenado, mais cedo ou mais tarde ao fracasso

O movimento da medicina integral também não pode ser visto como uma medicina complementar. Ele é um conceito mais amplo. A medicina complementar faz parte das inúmeras técnicas que estão em baixo de seu guarda-chuva conceitual. O conceito de medicina integral surgiu na década de 80, como uma nova proposta da medicina psicossomática. Nessa época muitos trabalhos científicos demonstraram que os fatores emocionais tinham uma importância grande na gênese e na evolução de inúmeras doenças. Portanto, qualquer médico, mesmo um especialista, deveria atentar para os aspectos psicológicos do seu paciente, já que esses eram importantes para o tratamento ou a cura.

Contrapondo a tendência de dividir o corpo e a mente, existente na medicina até então, foi proposto o conceito de medicina integral. Nessa proposta o médico cuidaria tanto do corpo como da mente do paciente numa mesma consulta visando melhorar o resultado dos tratamentos medicamentosos e cirúrgicos.

Medicina de família

Um segundo incremento do movimento da medicina integral surgiu com o renascimento da medicina de família. Essa corrente surgiu a partir da constatação de que a grande maioria da população, em geral carente, que procura atendimento médico possui problemas simples de saúde – e que medidas simples e gerais podem ter um grande impacto na mortalidade e na morbidade dessa população.

Assim foram criados os médicos de família, que combinam ensinamentos de várias áreas básicas da medicina como clinica médica, obstetrícia, pediatria e medicina preventiva, para promover suas ações de saúde. Muitos trabalhos epidemiológicos mostraram que as populações atendidas pelo sistema de médico de família possuem melhores índices de saúde com um custo inferior ao do sistema convencional, baseado em especialidades. Por isso programas de médicos de família têm sido implantados no atendimento primário à saúde em todo mundo. Esses resultados foram aproveitados pelo teóricos da medicina integral, mostrando que a abordagem integrada foi mais eficiente que a compartimentalizada, no atendimento a população, e a medicina integral ganhou novo empurrão.

Medicina complementar

O terceiro movimento da medicina integral começou a surgir na virada do século, quando a antiga medicina alternativa começou a ser incorporada aos sistemas de saúde, agora sendo chamada de medicina complementar. Existem cerca de dois mil trabalhos científicos publicados no mundo sobre o tema medicina integral, sendo que a maioria associado à medicina complementar ou psicossomática. Infelizmente os grupos que trabalham com medicina de família não tem aproveitado os conceitos de medicina complementar para ampliar a qualidade e a eficiência de sua medicina integral. Menos de 20 trabalhos mencionam as duas medicinas em seu texto. Mesmo assim uma publicação da Universidade de Havard, onde está uma das melhores escolas de medicina do mundo, questiona a falta de treinamento em medicina complementar pelos médicos de família.

A associação de medicina convencional com a medicina complementar, para melhorar a qualidade de vida e reduzir os efeitos adversos dos tratamentos de algumas doenças como câncer, AIDS e esclerose múltipla, também tem gerado resultados animadores. Os pacientes que recebem a medicina complementar (em geral uma combinação de acupuntura, massagem, fitoterapia, terapias cognitivas, etc) possuem melhores escores em escalas que avaliam a qualidade de vida das pessoas, e menor incidência de problemas como depressão e insônia.



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