Hipotireoidismo. Diagnóstico e tratamento

Hipotireoidismo. Diagnóstico e tratamento.

Como é feito o diagnóstico?

Além do quadro clínico, alguns exames complementares auxiliam o diagnóstico através da avaliação dos níveis hormonais.

diagnóstico de hipotireoidismo é estabelecido com a combinação de níveis séricos baixos de T4 livre e elevadas concentrações de TSH. Isto acontece pois a glândula pituitária (hipófise) aumenta a produção de hormônio tireoestimulante (TSH) para tentar estimular a tireoide a produzir mais hormôniotireoidiano (T3 e T4).

A dosagem do TSH ajuda ao médico a definir qual dose de hormônio tireoideo sintético deve ser usada, tanto inicialmente quanto ao longo do tempo de evolução desta condição.

O TSH também ajuda a diagnosticar uma condição conhecida como “hipotireoidismo subclínico”, a qual geralmente não causa sinais ou sintomas, mas nas dosagens hormonais encontram-se níveis normais de T3 e T4 livre e taxas aumentadas de TSH.

Estes exames fazem o diagnóstico de hipotireoidismo. Para estabelecer a sua causa, muitas vezes é necessário associar a clínica a outros exames complementares conforme indicação médica

A positividade do teste para auto-anticorpos tireoideos sugere a presença de tireoidite de Hashimoto como causa dohipotireoidismo.

 


Como é o tratamento?

É feito com o uso diário de hormônio tireoideo sintético ou levotiroxina (T4), em preparação pura e de baixo custo. Esta medicação de uso oral restabelece níveis hormonais adequados e o funcionamento normal do organismo, mas precisa ser usada por longo período.

Duas a três semanas após o início do tratamento nota-se a melhora da fadiga. Gradualmente os níveis de colesterolalterados pelo hipotireoidismo voltam às medições anteriores à doença e o ganho de peso adquirido pode ser revertido.

O tratamento é de longo prazo, mas como a dose necessária pode variar com o tempo, o acompanhamento médico periódico deve ser rigorosamente seguido. O médico deve solicitar dosagens de TSH pelo menos a cada ano.

Para determinar a dose correta de levotiroxina inicialmente, o médico geralmente checa os níveis de TSH depois de seis semanas a dois meses do início do tratamento.

Se você tem doença coronariana ou hipotireoidismo severo, o médico pode iniciar o tratamento com pequenas doses da medicação e gradualmente ir aumentando a dose. Este aumento progressivo permite a adaptação do coração ao retorno do ritmo das atividades metabólicas.

Você não deve suspender a medicação ou “pular” doses, caso esteja se sentindo melhor, pois se fizer isto ossintomas do hipotireoidismo retornarão gradualmente.

 

A medicação tem efeitos colaterais?

A levotiroxina geralmente não causa efeitos colaterais em doses adequadas. Quantidades excessivas do hormôniopodem resultar em:

  • Aumento do apetite
  • Insônia
  • Palpitações
  • Agitação

A dose diária média é de 100 a 150 microgramas de levotiroxina. As crianças e os pacientes cujo hipotireoidismo é resultante de tireoidectomia total ou tireoidite crônica auto-imune podem necessitar de doses mais altas.

Existem alguns efeitos tóxicos do tratamento com levotiroxina como:

  • Sintomas cardíacos: arritmias, taquicardia e fibrilação atrial.
  • Osteoporose em mulheres pós-menopausa.
  • Tremores e calor excessivo.

É um quadro parecido com os sinais e sintomas do hipertireoidismo.

 

A levotiroxina sofre interferência de outras medicações?

A levotiroxina age melhor se ingerida com o estômago vazio (de preferência pela manhã, 30 minutos antes do desjejum) e uma hora antes de ingerir qualquer outro medicamento.

Algumas medicações e alimentos influenciam a habilidade do organismo em absorver a levotiroxina. Fale com o seuendocrinologista se você está usando muitos alimentos a base de soja, se tem uma dieta rica em fibras ou se usa outras medicações como:

  • Suplementos de ferro
  • Colestiramina (sequestrador de ácidos biliares)
  • Hidróxido de alumínio (encontrado em alguns medicamentos antiácidos)
  • Suplementos de cálcio


Quais são as complicações do hipotireoidismo?

Quando o hipotireoidismo não é tratado, ele pode resultar em vários danos à saúde.

  • Bócio ou aumento da tireoide. O estímulo constante para fazer com que a glândula tireoide produza hormônios pode resultar na formação de bócio. Tireoidite de Hashimoto é a causa mais comum de formação de bócio. Embora na maioria das vezes o bócio não cause desconforto, uma glândula aumentada pode afetar a estética, a deglutição e a respiração.
  • Doenças cardíacas. O hipotireoidismo pode ser associado ao aumento do risco para doenças cardíacas, primeiramente porque níveis mais altos de LDL colesterol podem estar presentes. Ele pode estar associado à cardiomiopatia e à insuficiência cardíaca. Mesmo no hipotireoidismo subclínico, pode haver um aumento docolesterol total e prejuízos da bomba cardíaca.
  • Alterações mentais. Depressão pode ocorrer precocemente e se tornar mais severa ao longo da doença. Ohipotireoidismo não tratado também pode lentificar funções mentais.
  • Mixedema. Esta condição rara é resultado de um longo período de hipotireoidismo não diagnosticado. Ossintomas incluem grande intolerância ao frio, sonolência, letargia podendo levar ao coma. O comamixedematoso pode ser provocado pelo uso de sedativos, infecções ou por outros estresses sofridos pelo organismo. Caso apresente sintomas de mixedema, você precisa de tratamento médico imediato.
  • Infertilidade. Baixos níveis de hormônios tireoidianos podem interferir na ovulação e algumas causas dehipotireoidismo – como doenças auto-imunes – podem prejudicar a fertilidade. O tratamento com hormônios tireoidianos pode não restabelecer totalmente a fertilidade. Outras intervenções podem ser necessárias.
  • Malformações congênitas. Bebês nascidos de mães com hipotireoidismo não tratado têm um risco maior de apresentar malformações ao nascimento, estão mais susceptíveis a apresentar problemas intelectuais e de desenvolvimento.

Crianças com hipotireoidismo presente ao nascimento e não tratado podem apresentar sérios problemas tanto físicos como no desenvolvimento mental. Mas se o hipotireoidismo é diagnosticado nos primeiros meses de vida e corretamente tratado, as chances de desenvolvimento normal são excelentes.



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