DIETAS E PROGRAMAS PARA REDUZIR O PESO CORPORAL



    Milhões de pessoas estão envolvidas em programas de redução do peso corporal. Com a grande quantidade de regimes inadequados disponíveis e grande desconhecimento por parte de muitos sobre o assunto, faz-se necessário o estabelecimento de orientações para programas adequados de redução de peso.

    Com base nas evidências científicas disponíveis a respeito dos efeitos da perda de peso sobre o estado de saúde, sobre os processos fisiológicos e sobre os parâmetros da composição corporal, o American College of Sports Medicine estabelece as seguintes informações e recomendações para programas de redução de peso.

Nesteorientação, o peso corporal será representado por dois componentes: peso de gordura e peso magro (água, eletrólitos, minerais, reservas de glicogênio, tecido muscular e ósseo, etc.):

1. O jejum prolongado e as dietas que impõem restrições importantes à ingestão calórica são pouco desejáveis do ponto de vista científico, e podem ser perigosos do ponto de vista médico.

2. O jejum e as dietas que restringem de forma importante a ingestão calórica resultam em uma perda de grandes quantidades de água, eletrólitos, minerais, reservas de glicogênio, e tecido magro (incluindo proteínas contidas nos tecidos magros), com quantidades mínimas de perda de gordura.

3. Uma restrição calórica leve (500 a 1000 kcal menos do que a ingestão diária habitual), resulta em uma menor perda de água, eletrólitos, minerais e tecido magro, e causará provavelmente má nutrição.

4. O exercício dinâmico de grandes grupos musculares ajuda na manutenção do tecido magro, incluindo a massa muscular e a densidade óssea e resulta em reduções de peso corporal. A perda de peso como consequência de um aumento do gasto energético se dá principalmente na forma de peso de gordura.

5. Uma dieta nutricionalmente correta que provoca uma restrição calórica leve, associada a um programa de exercícios de endurance, junto com uma modificação comportamental envolvendo hábitos alimentares, é a estratégia recomendada para redução de peso. A taxa de redução de peso não deve ultrapassar 1 kg por semana.

6. Para manter um controle ponderal adequado e percentuais ótimos de gordura corporal, é necessário um compromisso por toda a vida em relação à hábitos alimentares adequados e atividade física regular.

Fundamentação Teórica para o Posicionamento Oficial

    A cada ano, milhões de indivíduos são submetidos a regimes para redução de peso por váris razões. Sabe-se que a obesidade está associada  há uma série de condições clínicas. Entre os problemas de saúde associados com a obesidade podemos incluir a insuficiência cardíaca secundária a um aumento do trabalho do miocárdio e disfunção ventricular esquerda, hipertensão, diabetes, doenças renais, doenças da vesícula biliar, disfunções respiratórias, doenças articulares e gota, câncer de endométrio, taxas anormais de lipídeos e lipoproteínas plasmáticas, problemas de administração de anestésicos durante uma cirurgia, e redução da capacidade funcional.

   A redução de peso é frequentemente recomendada pelos médicos por razões clínicas. Mas, existe um grande número de indivíduos que estão em programas de redução de peso por razões estéticas.

    Estima-se que entre 60 e 70 milhões de adultos e pelo menos 10 milhões de adolescentes americanos estão acima do peso. Pelo fato de milhões de americanos terem se engajado em programas de perda de peso não supervisionados, é opinião do American College of Sports Medicine que são necessárias orientações para dietas seguras e eficientes. Este posicionamento oficial trata de programas de redução de peso desejáveis e indesejáveis.

   Um programa de redução de peso adequado é definido como sendo nutricionalmente correto, resultando em reduções máximas no peso de gordura e reduções mínimas do peso magro. O de peso inadequado é definido como aquele que não é nutricionalmente correto, e resulta em grandes reduções de peso magro, que pode levar à complicações clínicas sérias, e que não pode ser seguido para manutenção a longo prazo.

Portanto, um programa adequado para redução de peso é aquele que:

1. Proporciona uma ingestão calórica não inferior a 1200 kcal por dia para adultos normais, de forma a fornecer uma seleção de alimentos que satisfaça às necessidades nutricionais (notar que essas necessidades podem diferir para crianças, idosos, atletas, etc.);

2. Inclui alimentos aceitáveis pelo indivíduo que se submete à dieta, do ponto de vista sócio-cultural, respeitando seus hábitos, seu gosto, o custo e a facilidade de compra e preparo;

3. Proporciona um balanço calórico negativo ( não maior que 500 a 1000 kcal por dia em relação à ingestão recomendada), resultando em uma redução de peso gradual sem desequilíbrios metabólicos. A redução máxima de peso deve ser de 1 kg por semana;

4.
Inclui a utilização de técnicas de modificação comportamental, de modo a identificar e eliminar hábitos dietéticos que contribuam para uma nutrição inadequada;

5. Inclui um programa de exercícios de endurance pelo menos três vezes por semana, 20 a 30 minutos de duração por sessão, e uma intensidade mínima de 60% da frequência cardíaca máxima;

6. Oferece condições para que os novos hábitos alimentares e de atividade física possam ter continuidade por toda a vida, a fim de manter o peso atingido.

    Desde seus primeiros trabalhos que Keys e colaboradores e Bloom, informavam que uma redução importante na ingestão calórica ou jejum (dietas de fome) diminuia rapidamente o peso corporal, surgindo várias dietas da moda e regimes para redução de peso, baseados em métodos de jejum e jejum modificado. Ao mesmo tempo que esses programas prometem, e em geral proporcionam rápidas diminuição do peso, também trazem riscos clínicos importantes.

    Os riscos associados a esses tipos de dietas e programas de redução de peso são numerosos. Ficou demonstrado que a glicemia é reduzida de forma importante em indivíduos obesos que são submetidos ao jejum. Ainda, em indivíduos obesos não diabéticos, o jejum pode causar uma redução da tolerância à glicose. A cetonúria aparece já algumas horas após o início do jejum ou de dietas com baixa quantidade de carboidratos, e a hiperuricemia é comum entre indivíduos que fazem jejum para reduzir o peso.

 

   O jejum também resulta em níveis elevados de ácido úrico com redução da eliminação urinária. O jejum e as dietas de baixo valor calórico resultam ainda em uma eliminação nitrogenada na urina e uma diminuição importante do peso magro . Em comparação com a ingestão de uma dieta normal, o jejum eleva de forma importante a excreção urinária de potássio. Esse achado, associado com a perda nitrogenada já mencionada, sugere que a perda de potássio é devida à perda de tecido magro. Ficou  comprovado ainda que, outros eletrólitos, entre os quais o sódio, o cálcio, o magnésio e o fosfáto também possuem concentração elevada na urina durante jejum prolongado. Reduções no volume sanguíneo e na quantidade de líquidos corporais também são comuns com o jejum e dietas da moda.

   Isto pode estar associado com fraqueza e desmaios. Insuficiência cardíaca congestiva e morte súbita foram relatadas em indivíduos que fizeram jejum ou reduziram radicalmente a sua ingestão calórica. A atrofia do miocárdio parece contribuir para a morte súbita. A morte súbita pode ocorrer também durante a realimentação.

   O jejum não tratado pode também causar uma redução da capacidade de ligação do ferro sérico, resultando em anemia. Os níveis de glicogênio hepático são depletados com o jejum, e tanto a função hepática como distúrbios do trato gastrointestinal estão associados com o jejum. Se por um lado demonstrou-se que o jejum e as dietas de restrição calórica extrema reduzem os níveis de colesterol, por outro lado observou-se que uma grande parte dessa redução é por conta dos níveis de colesterol HDL.

   Outros riscos associados com o jejum e as dietas de redução calórica incluem: acidose lática, alopécia, hipoalaninemia, edema, anúria, hipotensão, aumento da bilirrubinemia, náusea e vômitos, alterações no metabolismo da tiroxina, remoção e produção prejudicadas dos triglicerídeos e morte.

    O objetivo principal de qualquer programa de redução de peso é reduzir a quantidade de gordura corporal e manter o tecido magro. A grande maioria dos estudos mostra que dietas de fome e com redução extrema das calorias resultam em grandes perdas de água, eletrólitos e tecido magro.

   Um dos experimentos mais bem controlados foi conduzido de 1944 a 1946, no Laboratório de Higiene Fisiológica na Universidade de Minnesota. Nesse estudo, os indivíduos tiveram a sua ingestão calórica reduzida em 45%, e as mudanças no peso e na composição corporal foram acompanhadas por 24 semanas. Durante as primeiras 12 semanas o peso diminuiu em 11,5 kg, com uma redução de apenas 5,3 kg na gordura corporal. Durante as 12 semanas seguintes, o peso diminuiu mais 4,1 kg, com uma redução na gordura corporal de apenas 2,8 kg.

   Esses dados demonstram claramente que o tecido magro contribui de forma importante para a redução de peso nessa situação. Resultados semelhantes foram relatados por vários outros pesquisadores. Buskirk e colaboradores relataram que a redução de peso de 13,5 kg obtida em seis indivíduos através de uma dieta mista de baixo valor calórico era composta em média por 76% de gordura e 24% de tecido magro. Da mesma forma, Passmore e colaboradores relataram em sete mulheres que consumiram uma dieta de 400kcal por dia durante 45 dias, uma redução média de peso de 15,3 kg, sendo 78% gordura e 22% peso magro.

   Yang e Van Itallie acompanharam a redução de peso e as alterações da composição corporal nos primeiros cinco dias de um programa de redução de peso envolvendo indivíduos submetidos a uma dieta mista de 800 kcal, a uma dieta cetogênica de 800 kcal ou a uma dieta de fome. Os indivíduos submetidos à dieta mista perderam 1,3 kg de peso (59% de gordura, 3,4% de proteínas, 37,6% de água); os indivíduos submetidos à dieta cetogênica perderam 2,3 kg (33,2% de gordura, 3,8% de proteínas, 63% de água), e os indivíduos submetidos à dieta de fome perderam 3,8kg (32,3% de gordura, 6,5% de proteína, e 61,2% de água).

   Grande e Grande e colaboradores relataram achados semelhantes com uma dieta de 1000 kcal à base de carboidratos. Relatou-se, ainda, que uma restrição hídrica combinada com uma dieta de carboidratos de 1000 kcal por dia resultou em uma maior perda de água e uma menor perda de gordura.

    Recentemente surgiram novas especulações sobre a eficiência das dietas de baixíssimo valor calórico (DBVC). Krotkiewski e colaboradores estudaram os efeitos no peso e na composição corporais após três semanas da dieta de Cambridge. Dois grupos de mulheres obesas de meia idade foram estudados. Um grupo foi submetido somente à DBVC, enquanto que outro grupo foi submetido à DBVC mais um programa de exercícios com duração de 55 minutos ao dia, três vezes por semana.

   O grupo DBVC teve uma redução de 6,2 kg em três semanas, dos quais apenas 2,6 kg eram de gordura, enquanto que o grupo DBVC + exercício perdeu 6,8 kg nas três semanas, dos quais apenas 1,9 kg eram gordura. Dessa forma, pode-se observar que a DBVC traz perdas indesejáveis de gordura corporal, e que a adição do efeito normalmente protetor do exercício não reduz o catabolismo do tecido magro. Ainda, com a DBVC observa-se uma grande redução do colesterol HDL (29%).

    Mesmo uma restrição calórica leve (redução de 500 a 1000 kcal por dia em relação ao consumo habitual), quando utilizada isoladamente para reduzir peso, resulta na perda de quantidades moderadas de água e tecido magro. Em um estudo realizado por Goldman e colaboradores, 15 mulheres foram submetidas a uma dieta mista de baixo valor calórico por sete a oito semanas. A perda de peso durante esse período foi, em média, de 6,43 kg (0,85kg por semana), sendo 88,6% gordura. Os 11,4% restantes corresponderam a água e tecido magro. Zuti e Golding examinaram os efeitos de uma restrição calórica de 500 kcal por dia na composição corporal de mulheres adultas.

   Em um período de 16 semanas essas mulheres perderam aproximadamente 5,2 kg; contudo, 1,1 kg desse total era composta por água e tecido magro. Mais recentemente, Weltman e colaboradores analisaram os efeitos de uma restrição calórica de 500 kcal por dia (em relação ao consumo habitual) sobre a composição corporal em homens de meia idade sedentários. Em um período de 10 semanas os indivíduos perderam 5,95 kg, 4,03 kg (68%) dos quais corresponderam a gordura e 1,92 kg (32%) a água e tecido magro. Ainda, somente com a restrição calórica esses indivíduos tiveram uma redução do colesterol HDL.

   No mesmo estudo, outros dois grupos que foram submetidos a um programa de exercícios e dieta/exercício mantiveram os seus níveis de colesterol HDL. Resultados semelhantes para o sexo feminino foram apresentados por Thompson e colaboradores. Deve-se notar que a redução observada no colesterol HDL com a perda de peso pode ser um efeito agudo. Há dados indicativos de que uma redução estável de peso possui um efeito benéfico sobre o colesterol HDL.

    Ainda, um problema adicional associado com a restrição calórica isolada para reduzir peso é a redução da taxa metabólica basal. Aparentemente, o exercício combinado com a restrição calórica é capaz de contrabalançar essa resposta.

    Há vários estudos indicando que o exercício auxilia na manutenção do tecido magro à medida em que promove a redução do peso corporal. O peso total e o peso de gordura são geralmente reduzidos através de programas de treinamento de endurance, enquanto que o peso magro permanece inalterado ou aumenta discretamente.

   Para reduzir o peso corporal e o peso de gordura, têm sido sugeridos programas de exercícios com uma frequência de pelo menos três vezes por semana, uma duração de pelo menos 20 minutos e uma combinação de intensidade e duração suficientes para promover um gasto calórico de pelo menos 300 kcal por sessão de exercício.

   O aumento do gasto calórico acima de 300 kcal por sessão e o aumento da frequência das sessões otimizará a diminuição do peso corporal e manterá o peso magro. Leon e colaboradores submeteram seis indivíduos obesos do sexo masculino a um programa de caminhada intensa com 90 minutos por sessão, cinco vezes por semana, durante 16 semanas. O gasto calórico foi aumentado de forma progressiva semanalmente, até atingir 1000 a 1200 kcal por sessão.

   Ao final das 16 semanas, os indivíduos tiveram uma perda de 5,7 kg de peso corporal, com uma perda de 5,9 kg de gordura e um aumento de 0,2 kg do tecido magro. Já Zuti e Golding acompanharam mulheres adultas em um programa de exercícios, com um gasto calórico de 500 kcal por sessão, cinco vezes por semana, durante 16 semanas. Ao final das 16 semanas, as mulheres perderam 5,8 kg de gordura e ganharam 0,9 kg de tecido magro.

     Uma revisão da literatura aqui citada indica fortemente que alterações ótimas da composição corporal ocorrem com uma combinação de restrição calórica (desde que numa dieta bem balanceada), mais exercício. Essa combinação promove a perda de gordura e a manutenção do peso magro. Dados de Zuti e Golding e Weltman e colaboradores apoiam essa informação. Uma restrição calórica de 500 kcal por dia, combinada com três a cinco sessões semanais, cada uma com um gasto de 300 a 500 kcal;, tem como resultado alterações favoráveis na composição corporal.

   Portanto, a taxa ideal de perda de peso deve ser entre 0,45 a 1 kg por semana. Isso é particularmente importante quando se leva em consideração que reduções rápidas de peso devidas a uma ingestão calórica restrita estão relacionadas a morte súbita. A fim de instruir um padrão desejável de restrição calórica mais exercício, técnicas de modificação comportamental devem ser utilizadas, de forma a identificar e eliminar hábitos que contribuíram para a obesidade.

   O problema com a redução de peso é que, embora muitos indivíduos tenham sucesso, eles invariavelmente recuperam o peso perdido. O objetivo de um regime não é apenas a perda do peso. O controle ponderal exige um compromisso por toda a vida, uma compreensão dos nossos hábitos alimentares e uma vontade concreta de modificá-los. O exercício regular é necessário, e o seu cumprimento deve ser enfatizado para manter a motivação. Dietas de impacto e outras "curas milagrosas" para perder peso são ineficazes.




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