Naltrexona e Esclerose Mulpipla

     

A esclerose múltipla tem sido tratada das mais diferentes maneiras nos últimos 50 anos. Na Suíça foi empregado o óleo de linhaça em protocolo conhecido como dieta de Budwig com resultados muito interessantes. Na Alemanha, Nieper empregou o cálcio-EAP conhecido como fator de permeabilidade da membrana celular , com resultados bons e muito bons em 68% dos casos. Atualmente nos Estados Unidos Bernardo Bihari conseguiu resultados ainda melhores com o emprego da naltrexone.

 

 

A naltrexone usada à noite e em baixas doses, bloqueia os receptores opiáceos endógenos , por um curto período de tempo. Durante o bloqueio dos receptores o organismo produz grandes quantidades de opiáceos em resposta tipo “feedback” positiva, os quais saturam tais receptores quando a naltrexone para de ocupá-los. Os opiáceos endógenos (endorfinas) são poderosos indutores da resposta imunológica e aumentam a proliferação dos linfócitos Th1 e suprimem a proliferação dos linfócitos Th2.

Em quase 400 pacientes com esclerose múltipla tratados com o naltrexone, observou-se somente dois pacientes com sinais e sintomas de nova atividade da doença em 3 anos de evolução. Um deles apresentou parestesia da perna esquerda que melhorou em 3 semanas e outro apresentou neurite óptica que melhorou em 4 semanas , com ajuste da dose de naltrexone.

Dos 70 pacientes tratados por Bihari por 3 anos, 98% não mais apresentaram progressão da doença e estão estáveis. Dois pacientes antigos, um tratado há 12 anos e outro há 17 anos também não apresentaram progressão da doença.

O naltrexone além de em cerca de 75% dos casos parar a evolução da esclerose múltipla ele consegue provocar uma melhora do estado geral, já visível nos primeiros dias de tratamento.

Os médicos que utilizam o naltrexone no tratamento da esclerose múltipla têm observado dois tipos gerais de melhoria. Uma delas é a redução da espasticidade o que permite melhor deambulação ou movimentos dos braços. As endorfinas reduzem a irritabilidade do tecido nervoso em volta das placas e pode reduzir convulsões ou movimentos involuntários. Outra melhora observada é na fadiga, possivelmente pelo aumento dos níveis endógenos de endorfina.

Os pacientes que estão sob exacerbação da doença melhoram mais rapidamente quando usam o naltrexone.

Na esclerose múltipla os níveis de endorfina estão baixos o que provoca diminuição da função do sistema imune, principalmente da função supervisora do CD4. Na ausência da função normal do sistema imune as células deste sistema “esquecem” sua habilidade genética de reconhecer as suas próprias estruturas químicas ( estruturas “self” : suas próprias células, tecidos e orgãos) e se “esquecem” de reconhecer as estruturas a elas estranhas (estruturas não “self” : bactérias, fungos, vírus, parasitas, câncer). Esta perda de memória imunológica leva a algumas células do sistema imune a atacar as estruturas celulares do próprio organismo. No caso da esclerose
múltipla tais células do sistema imune atacam a bainha de mielina e as fibras nervosas. Estes ataques resultam em cicatrizes (placas) na medula óssea e no cérebro. A restauração dos níveis normais de endorfinas pelo naltrexone, permite ao sistema imune reassumir a sua função de poupar o “self” e atacar o não “self”.

Na verdade, as endorfinas são produzidas no meio da noite, entre 2 e 4 horas da madrugada, e desta forma a administração de pequenas doses ao deitar é condição imperativa para o efeito do medicamento. O naltrexone em baixas doses triplica os níveis de endorfinas no dia seguinte à sua administração, restaurando a concentração de endorfina do organismo aos seus valores normais o que permite a normalização da função do sistema imune.

Em 2005 , Agrawal escreve que baixas doses de naltrexone não somente previne as crises de exacerbação da esclerose múltipla como também reduz a sua progressão . Ele propõe outro mecanismo de ação para o naltrexone em baixa dose : redução da apoptose (morte celular programada) dos oligodendrocitos. O naltrexone reduz a atividade da oxido nítrico sintetase induzível o que diminui a formação de peroxinitritos, os quais previnem a inibição dos transportadores de glutamato o que diminui drasticamente a neurotoxicidade excitatória do glutamato nas células neurais.

Tem sido relatados na literatura médica a descrição de muitos casos com dramáticas melhoras do estado clínico e neurológico de pacientes com esclerose múltipla que usam o naltrexone em baixa dose, entretanto não conseguimos encontrar na literatura trabalhos randomizados, duplo cegos e controlados com placebo. È imperativo que a comunidade médica se disponha a realizar trabalhos desta natureza, para que o uso de medicamento não dispendioso, atóxico e tão eficaz seja colocado à disposição da classe médica e principalmente dos pacientes com esclerose múltipla.

José de Felippe Junior ( presidente da associaçao de medicina
complementar )



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