Testosterona e a saúde

Importância da testosterona na saúde

  

O conceito que testosterona é apenas o principal hormônio sexual masculino já está ultrapassado. A importância de manter seu nível adequado é cada vez mais comprovada. 


A testosterona, principal hormônio masculino, é essencial para a libido e a função erétil, mas também desempenha um papel crucial no humor, energia, saúde óssea/arterial e composição corporal. Os níveis de testosterona diminuem com a idade, geralmente após os 30 anos. Esta queda hormonal tem sido associada a doenças cardíacas, depressão, fadiga, obesidade, diabetes, osteoporose e declínio cognitivo. Os níveis baixos de testosterona aumentam a mortalidade e o risco de doenças cardíacas coronárias. Restaurar testosterona em níveis adequados oferece uma grande variedade de benefícios para a saúde, incluindo a saúde do coração, da composição corporal, humor e memória. O uso de testosterona com estrutura química semelhante à endógena não apresenta efeitos adversos sobre a próstata saudável. Este tratamento pode otimizar a função prostática em homens normais com baixo nível de testosterona. A utilização deste tipo de terapia é contraindicada para pacientes com câncer de próstata. Exames laboratoriais regulares podem auxiliar no direcionamento da terapia mais adequada para cada paciente. A otimização dos níveis de testosterona requer uma abordagem multifacetada que inclui mudança no estilo de vida, nutrição e modificações dietéticas, suplementos nutricionais e exercícios, bem como a reposição de testosterona, entre outras condutas clínicas quando necessárias.

 

O déficit de testosterona é uma causa subjacente para muitas doenças degenerativas. Os problemas de saúde relacionados à queda deste hormônio incluem depressão, doença arterial coronária, colesterol elevado, ganho de peso abdominal, déficit cognitivo, disfunção, fadiga imunológica e muitas outras patologias associadas ao “envelhecer”.

 

TESTOSTERONA E LIBIDO

 

A estimulação sexual começa no cérebro quando os neurônios com receptores de testosterona são solicitados para desencadear uma cascata de eventos bioquímicos que envolvem nervos, vasos sanguíneos e os músculos. A testosterona livre promove o desejo sexual inicial e facilita o desempenho físico, bem como o grau geral de satisfação. Sem níveis adequados do hormônio livre, a qualidade de vida sexual é afetada. Quando estes níveis são restaurados, mudanças positivas na libido e desempenho sexual podem ser esperadas. Nos homens, com o declínio dos níveis de testosterona, torna-se mais difícil a excitação com estímulos sexuais. Os homens com déficit de testosterona frequentemente queixam-se de humor deprimido que os impede até mesmo fantasiar sobre sexo.

 

No final dos anos 1930, pela primeira vez pesquisadores administraram testosterona em homens com deficiência deste hormônio e foi observada uma recuperação notável da excitação e atividade sexual. Estes efeitos da testosterona sobre a libido não são exclusividade dos homens. As mulheres também dependem de níveis adequados para otimização da excitação e libido. Assim, a testosterona é o hormônio sexual tanto para homens quanto para mulheres.1;2

 

 

SAÚDE CARDIOVASCULAR

O coração é um músculo, e nos músculos a testosterona tem uma ação anabolizante e revigorante. Uma pesquisa avaliou durante cinco anos o perfil de 2.416 indivíduos do sexo masculino (com idades entre 69 e 81 anos) com diferentes níveis fisiológicos de testosterona. Os participantes com maior concentração hormonal tinham menores taxas de diabetes, hipertensão e obesidade. Ao final deste período de estudo, os indivíduos que possuíam o nível de testosterona acima de 550 ng/dl apresentaram em média 30% menos eventos cardíacos e 24% menos derrames. 9

 

 

DIABETES E TESTOSTERONA

Atualmente o Diabetes tipo 2 atinge proporções epidêmicas em muitos países. Da mesma forma, a síndrome metabólica, uma condição marcada pela resistência à insulina e também responsável pelo aumento do risco de doenças cardíacas e diabetes, torna-se cada vez mais prevalente.


Crescente investigação sugere que baixos níveis de testosterona podem estar intimamente relacionados com a resistência à insulina e suas respectivas condições de síndrome metabólica e diabetes. 10;11 Pesquisas recentes sugerem que entre 20% e 64% dos homens com diabetes têm níveis baixos de testosterona, e os indivíduos mais idosos parecem ser mais suscetíveis a estas condições. 12


Restaurando a testosterona em níveis adequados, pode-se conferir uma grande variedade de benefícios para os homens afetados por diabetes tipo 2. Dentre os benefícios estão: a melhora da homeostase da glicose (níveis de açúcar equilibrados), redução da gordura abdominal e otimização da função erétil. 13 Da mesma forma, os cientistas acreditam que a reposição de testosterona pode ajudar a reverter algumas das alterações bioquímicas importantes que estão na base da síndrome metabólica, tais como a resistência à insulina e a obesidade central. 14;15

 

COMPOSIÇÃO CORPORAL

Com a epidemia de obesidade e seu tremendo impacto sobre a saúde geral da população brasileira, cresce o interesse da comunidade médica no papel que a testosterona pode desempenhar na composição corporal. Pesquisas apontam que o hormônio pode afetar de maneira positiva o metabolismo das células de gordura, além de promover sua lipólise (quebra). Dentre os mecanismos de atuação podemos destacar os de maior interesse: Inibição do armazenamento de gordura através do bloqueio de uma enzima chamada lipase. A lípase é uma lipoproteína necessária para a absorção da gordura nas células adiposas do corpo. Quando as células de gordura são expostas à testosterona, a atividade da lipase é drasticamente reduzida.

 

Estimulação da queima de gordura através do aumento do número de receptores específicos na membrana da célula adiposa, que libera a gordura armazenada. Aumento da sensibilidade à insulina e melhora do metabolismo de lipídios e carboidratos, ao mesmo tempo em que reforça o crescimento das fibras musculares e diminui os depósitos de gordura. Níveis mais baixos de testosterona estão associados à redução de bombeamento do coração.

 

PRÓSTATA

A terapia de reposição de testosterona é uma opção de tratamento para a andropausa, porém é evitada por ser historicamente associada ao surgimento de câncer de próstata clinicamente detectável. Esta crença, suportada por mais de meio século, tem sido muito contestada ultimamente por possuir lacunas científicas importantes.


Uma pesquisa realizada em 2002 indica que a testosterona é realmente benéfica para a próstata, na grande maioria dos casos. Neste estudo, os pesquisadores analisaram vários parâmetros, incluindo o volume da próstata, do antígeno prostático específico (PSA) e sintomas do trato urinário em um grupo de homens com baixa testosterona. Dos 207 participantes, 187 responderam favoravelmente ao tratamento em quase todos os parâmetros medidos: diminuição da próstata, do PSA e redução dos sintomas urinários, tais como urgência, frequência, gotejamento, e noctúria (levantar à noite para urinar). 20


Um estudo recente avaliou a reposição de testosterona em indivíduos adultos do sexo masculino, e os resultados concluíram que “nenhuma alteração relacionada com o tratamento de testosterona foi observada histologicamente na próstata, ou nos biomarcadores teciduais, expressão gênica, ou aumento da incidência ou gravidade de câncer. Alterações relacionadas ao tratamento em relação ao volume da próstata, PSA, sintomas urinários e fluxo urinário foram menores”.21


A suposição de que a terapia de reposição com testosterona favoreça o aparecimento de câncer de próstata finalmente está sendo vista como uma crença e não como uma verdade científica. Em um artigo de revisão publicado em 2004 no New England Journal of Medicine, os autores relatam: “parece não haver evidência convincente, neste momento, sugerindo que homens com níveis mais elevados de testosterona tenham maior risco de câncer de próstata ou que os homens que estejam em tratamento para hipogonadismo (baixos níveis de testosterona) com testosterona exógena aumente esse risco”. 22  Esta e outras revisões chegam à mesma conclusão: a testosterona não “gera” câncer, ou aumenta as chances de ter câncer de próstata. No entanto, uma vez que a testosterona estimula o crescimento celular, é possível que esta possa acelerar o crescimento de um câncer de próstata já existente. Diante disso, é necessária a realização de exames laboratoriais para excluir a hipótese de presença de câncer ativo, como teste de PSA e Ultrassom Transretal, antes iniciar a terapia de reposição com testosterona. Este tratamento é contraindicado em homens com câncer de próstata conhecido.

 

DEPRESSÃO

A depressão é a principal causa de incapacidade no mundo. Em um estudo recente realizado na Austrália em 3.987 homens idosos, os pesquisadores descobriram que aqueles com depressão apresentaram concentrações de testosterona significativamente mais baixas do que os homens sem a patologia. 23 Os autores sugeriram que os homens idosos e depressivos podem se beneficiar com a suplementação de testosterona. Outros estudos têm mostrado uma melhora nos escores de depressão com terapia de testosterona em pacientes que não respondem ao tratamento convencional. 24;25

 

 

HABILIDADES COGNITIVAS

Níveis adequados de testosterona parecem ser claramente benéficos para o funcionamento mental e verbal no sexo masculino. Vários estudos têm demonstrado que a diminuição dos níveis séricos de testosterona parece afetar a memória verbal em homens jovens saudáveis. Curto prazo de administração de testosterona exerce um efeito benéfico sobre a memória espacial e verbal e melhora a função cognitiva em indivíduos saudáveis.26;27


Assim, sintomas, como diminuição do desejo sexual, disfunção erétil, humor deprimido e dificuldades de concentração e memória, podem estar diretamente relacionados aos baixos níveis de testosterona. É importante consultar um profissional médico habilitado e obter o real panorama fisiológico hormonal.

 

Como aumentar a testosterona natural:

Muitas plantas têm ação benéfica sobre a produção ou sobre o metabolismo da testosterona, sendo usadas milenarmente como afrodisíacas. Conheça algumas delas que auxiliam o corpo a aumentar produção ou metabolismo da testosterona.

 

TRIBULUS TERRESTRIS: é a mais popular e conhecida. Seu mecanismo de ação é por aumentar o hormônio luteinizante (LH), que estimula o testículo a produzir mais testosterona.

 

FENO GREGO: estudos usando extratos importados de alta qualidade já comprovaram que aumenta a testosterona livre, deslocando a testosterona de sua proteína carreadora, a Proteína Ligadora de Hormônios Sexuais (SHBG). Quanto mais testosterona livre, mais atividade exercerá.

 

URTICA DIOICA: utiliza o mesmo mecanismo do Feno grego.

 

SAW PALMETO: entre outras ações, bloqueia a conversão da testosterona em dihidr!estosterona (a forma de testosterona que pode provocar a calvície masculina e hipertrofia da próstata).

 

GINSENG: mais conhecido como adaptógeno, é um tonificante e melhora a produção de testosterona.

 

 

1 Davidson JM, Camargo CA, Smith ER. Effects of androgen on sexual behavior in hypogonadal men. J ClinEndocrinolMetab 1979 Jun;48(6):955-8.

 

2 Arver S, Dobs AS, Meikle AW, Allen RP, Sanders SW, Mazer NA. Improvement of sexual !nction in testosterone deficient men treated for 1 year with a permeation enhanced testosterone transdermal system. J Urol 1996 May;155(5):1604-8.

 

3 Malkin CJ, Pugh PJ, Morris PD, et al. Testosterone replacement in hypogonadal men with angina improves ischaemic threshold and quality of life. Heart. 2004 Aug;90(8):871-6.

 

4 Hak AE, Witteman JC, de Jong FH, et al. Low levels of endogenous androgens increase the risk of atherosclerosis in elderly men: the Roterdam study. J ClinEndocrinolMetab. 2002 Aug;87(8):3632-9.

 

5 Jones RD, Nettleship JE, Kapoor D, Jones HT, Channer KS. Testosterone and atherosclerosis in aging men: purported association and clinical implications. Am J Cardiovasc Drugs. 2005;5(3):141-54.

 

6 Dobrzycki S, Serwatka W, Nadlewski S, et al. An assessment of correlations between endogenous sex hormone levels and the e#ensiveness of coronary heart disease and the ejection fraction of the le$ ventricle in males. J Med Invest. 2003 Aug;50(3- 4):162-9.

 

7 Malkin CJ, Pugh PJ, Morris PD, et al. Testosterone replacement in hypogonadal men with angina improves ischaemic threshold and quality of life. Heart. 2004 Aug;90(8):871-6.

 

8 Kang SM, Jang Y, Kim JY, et al. Effect of oral administration of testosterone on brachial arterial vasoreactivity in men with coronary artery disease. Am J Cardiol. 2002 Apr 1;89(7):862-4.

 

9 Ohlsson C, Barrett-Connor E, Bhasin S, et al. High serum testosterone is associated with reduced risk of cardiovascular events in elderly men. J Am CollCardiol. 2011 Oct 11;58(16):1674-81.

 

10 Zou B, Sasaki H, Kumagai S. Association between Relative Hypogonadism and Metabolic Syndrome in Newly Diagnosed Adult Male Patients with Impaired Glucose Tolerance or Type 2 Diabetes Mellitus. MetabSyndrRelatDisord. 2004 Spring;2 (1):39-48.

 

11 Spark RF. Testosterone, diabetes mellitus, and the metabolic syndrome. CurrUrol Rep. 2007 Nov;8(6):467-71.

 

12 Kalyani RR, Dobs AS. Androgen deficiency, diabetes, and the metabolic syndrome in men. CurrOpinEndocrinol Diabetes Obes. 2007 Jun;14(3):226-34.

 

13 Fukui M, Kitagawa Y, Ose H, Hasegawa G, Yoshikawa T, Nakamura N. Role of endogenous androgen against insulin resistance and atherosclerosis in men with type 2 diabetes. Curr Diabetes Rev. 2007 Feb;3(1):25-31.

 

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16 Naharci MI, Pinar M, Bolu E, Olgun A. Effect of testosterone on insulin sensitivity in men with idiopathic hypogonad"ropichypogonadism. EndocrPract. 2007 Oct;13(6):629-35.

 

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22 Rhoden EL, Morgentaler A. Risks of testosterone- replacement therapy and recommendations for monitoring. N Engl J Med. 2004 Jan 29;350(5):482-92.

 

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29 Mellström D, Vandenput L, Mallmin H, et al. Older men with low serum estradiol and high serum SHBG have an increased risk of fractures. J Bone Miner Res. 2008 Oct;23(10):1552-60.

 

30 Prins GS, Huang L, Birch L, PuY.The role of estrogens in normal and abnormal development of the prostate gland.Ann N Y Acad Sci. 2006 Nov;1089:1-13.

 

31 Lerchbaum E, Pilz S, Boehm BO, Grammer TB, Obermayer-Pietsch B, März W. Combination of low free testosterone and low vitamin D predicts mortality in older men referred for cor



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