Hipnose Clinica

Hipnose Clinica

Hipnose é um estado mental ou um tipo de comportamento usualmente induzidos por um procedimento conhecido como indução hipnótica, o qual é geralmente composto de uma série de instruções preliminares e sugestões. O uso da hipnose com propósitos terapêuticos é conhecido como "hipnoterapia".

Contudo, talvez a definição mais objetiva possível de hipnose seria a seguinte: alguém comanda (o hipnotista) e alguém obedece (o hipnotizado), geralmente de modo extremo ou pouco comum.

As pessoas que são hipnotizadas costumam relatar alterações de consciência, anestesia, analgesia, obedecendo e realizando os atos mais variados e extremos sob este estado.

O termo "hipnose" (grego hipnos = sono + latim osis = ação ou processo) deve o seu nome ao médico e pesquisador britânico James Braid (1795-1860), que o introduziu pois acreditou tratar-se de uma espécie de sono induzido. (Hipnos era também o nome do deus grego do sono). Quando tal equívoco foi reconhecido, o termo já estava consagrado, e permaneceu nos usos científico e popular.

Contudo, deve ficar claro que hipnose não é uma espécie ou forma de sono. Os dois estados de consciência são claramente distintos e a tecnologia moderna pode comprová-lo de inúmeras formas, inclusive pelos achados eletroencefalográficos de ambos, que mostram ondas cerebrais de formas, frequências e padrões distintos para cada caso. O estado hipnótico é também chamado transe hipnótico.

É um conjunto de técnicas psicológicas e fisiológicas usadas para a modificação gradual da atenção. Durante este processo, o grau de suscetibilidade à hipnose é medido pela capacidade dos pacientes em desconectar sua consciência do mundo exterior e se concentrar em experiências sugeridas pelo hipnólogo. Quanto maior for essa capacidade, maior serão as possibilidade do paciente desenvolver fenômenos hipnóticos sugeridos, dentre os quais podemos destacar: amnésia total ou parcial da experiência hipnótica, anestesia, modificação da percepção, alucinações, crises histéricas, aguçamento da memória, modificação nas respostas fisiológicas, entre outros.

Hipnose, no sentido de transe ou estado hipnótico, pode ser auto-induzida ou alter-induzida.

Hipnose auto-induzida, também chamada de auto-hipnose, consiste na aplicação das sugestões hipnóticas em si mesmo.

Hipnose alter-induzida pode, por analogia, ser chamada alter-hipnose — embora esta não seja expressão de uso corrente — e consiste na aplicação de sugestões hipnóticas por outra (latim alter = outro) pessoa (o hipnotizador) num aquiescente (hipnotizado, paciente).

Alguns especialistas afirmam que toda hipnose é, afinal, auto-hipnose, pelo fato de depender precisamente da aquiescência ou consentimento (num dado grau ou nível, ainda que incipiente) daquele que deseja ou, pelo menos, concorda com ser hipnotizado.

Na maioria dos indivíduos, é possível induzi-la com métodos e técnicas diversos.

Quando um hipnotizador induz um transe hipnótico, estabelece uma relação ou comunicação muito estreita com o hipnotizado. Isso, de fato, é essencial para o sucesso da hipnose.

Hipnose muitas vezes é empregada em tratamentos psicológicos e médicos (e/ou psiquiátricos). Quando em uso por psicólogos e médicos — sendo o paciente submetido à hipnose, para o desejado fim terapêutico — fala-se apropriadamente em hipnose terapêutica (hipnoterapia).

Com efeito, é possível tratar alguns problemas de comportamento, como o tabagismo, as disfunções alimentares (como anorexia, bulimia, desnutrição e obesidade), bem como a insônia, entre tantos problemas, com o uso adequado e competentemente supervisionado da hipnose — a hipnoterapia.

Se é o terapeuta que se acha em estado ou transe hipnótico (usualmente auto-induzido, conquanto possa ser também alter-induzido) — e, nesse estado hipnótico, prescreve tratamento para a cura de doenças ao paciente em estado não-hipnótico, emprega-se o termo hipniatria, sendo que o terapeuta, neste caso, passa a ser chamado de hipniatra.

Algumas vezes, usa-se hipnose apenas com propósitos de apresentação circense ou assemelhada, conhecida como "hipnose de palco". Ao contrário do que algumas pessoas ignorantes pensam, muito raramente há charlatanismo, pois tal seria mais difícil de realizar que o show honesto.

É frequentemente referido na literatura especializada, não ser possível o seu uso com propósitos antiéticos, visando obter de alguém (hipnotizado) alguma vantagem ou subserviência para fins escusos. Nesse ponto todos os hipnólogos estão de acordo, pelo que já nem é tema de discussão técnica.

Atualmente a versão mais abrangente da hipnose é a escola da hipnose ericksoniana também é conhecida como hipnose moderna, pelo motivo de utilização do método conversacional ou simplesmente o uso coloquial das palavras. Em uma conversa tradicional ou em uma narração de histórias a pessoa é levada a um estado alterado de consciência, facilitando o entendimento, processamento e interação inconscientes.

 

 

Histórico da hipnose

Franz Anton Mesmer

Franz Anton Mesmer (1734–1815) acreditava que existia uma forma magnética ou "fluido" universal que influenciava a saúde do corpo humano. 1 A saúde e a doença seriam frutos de desequilíbrios deste fluido universal. 2 Ele fez experiências com ímãs para alterar este campo, e portanto, realizar curas. Por volta de 1774, ele concluiu que os mesmos efeitos poderiam ser criados com movimentos das mãos, a uma distância, na frente do corpo do paciente, conhecido como fazer "passes mesméricos". A palavra mesmerizar se origina do nome de Franz Mesmer, e foi intencionalmente utilizada para separar seus utilizadores dos vários "fluidos" e teorias "magnéticas" que eram utilizadas dentro da denominação "magnetismo".

Em 1780, a pedido do rei francês Luis XVI, uma Comissão de Inquérito iniciou investigações para confirmar se existia mesmo um Magnetismo Animal. Entre os membros da comissão estavam o pai da química moderna Antoine Lavoisier, o cientista Benjamin Franklin e um especialista em controle da dor Joseph-Ignace Guillotin. 3 Mesmer conseguia resultados espetaculares em muitos casos nos quais os médicos convencionais não conseguiam ajudar. Este fato já havia enfurecido a comunidade médica que o forçou, nesta época, a sair de Viena para Paris. Quando nenhuma evidência científica foi encontrada para explicar essas curas, elas foram proibidas. 4

O mesmerismo permitia induzir a estados alterados de consciência e era possível até mesmo realizar cirurgias sob anestesia hipnótica por esse método. Em Londres foi fundado o "Mesmeric Hospital", por John Elliotson, discípulo de Mesmer

 

 

James Braid

James Braid (1795-1860), iniciou a hipnose científica. Cunhou, em 1842, o termo hipnotismo (do grego hipnos = sono), para significar o procedimento de indução ao estado hipnótico. Hipnose, hipnotismo, ficou logo claro, eram termos inadequados (não se dorme durante o processo). O uso, porém, já os havia consagrado e não mais se conseguiu modificá-los, remanescendo até a atualidade.

James Esdaile

James Esdaile (1808-1868), utilizou, como cirurgião, a anestesia hipnótica (hipnoanalgesia) para realizar aproximadamente 3.000 (três mil) cirurgias sem a necessidade de anestésicos químicos. Nestas estão incluídas até mesmo extração de apêndice entre outros procedimentos de grande vulto. Todas as cirurgias estão devidamente catalogadas. Talvez o método de Esdaile não tenha tido maior projeção científica porque, à mesma época, foram descobertos os anestésicos químicos (éter, clorofórmio e óxido nitroso) que passaram a fazer parte dos procedimentos médicos da nobreza europeia. Curioso é saber que os anestésicos químicos mataram muito mais pessoas que se imagina, dada à ignorância das reações ao procedimento. Tal nunca ocorreu com a hipnose.

Ivan Pavlov

Ivan Pavlov (1849-1936), famoso neurofisiologista russo, conhecido por suas pesquisas sobre o comportamento, que foram o ponto de partida para o behaviorismo e o advento da psicologia científica do comportamento; estudou os efeitos da hipnose sobre o córtex cerebral e a indicação terapêutica deste tipo de intervenção.

Jean Charcot

Jean Charcot (1825-1893), conhecido médico da escola de Salpetriére (França), professor de Freud, estudou os efeitos da hipnose em pacientes histéricos. Charcot afirmava que apenas histéricos eram hipnotizáveis, mas outros médicos contemporâneos constataram que a hipnose é parte do funcionamento normal do cérebro de qualquer pessoa. Muitos dos erros cometidos por Charcot (e repetidos por Freud) levaram a crer na ineficácia da hipnose, o que foi rebatido anos depois.

 

Sigmund Freud

Sigmund Freud (1856-1939), médico neurologista, nascido na Morávia (atual República Tcheca), autor da maior literatura acerca do inconsciente humano, fundador da psicanálise, aplicou a hipnose profunda no começo de sua carreira e acabou por abandoná-la, pois, ele a utilizava para a obtenção de memórias reprimidas (Freud não sabia que nem todas as pessoas são suscetíveis à hipnose profunda facilmente).

Dave Elman

Apesar de Dave Elman (19001967) ser conhecido primeiramente como um notório locutor de rádio, comediante e compositor musical, ele também ficou famoso no campo da Hipnose. Ele lecionou vários cursos para médicos e escreveu, em 1964, o livro: “Findings in Hypnosis” (Descobertas na Hipnose)5 , que depois foi denominado “Hypnotherapy” (Hipnoterapia)6 .

Provavelmente, um dos aspectos mais importantes do legado de Dave Elman foi o seu método de indução, que originalmente foi construído para realizar a hipnose de um modo rápido e depois adaptada para o uso de profissionais médicos; os seus discípulos rotineiramente obtinham estados hipnóticos adequados para procedimentos médicos ou cirúrgicos em menos de três minutos. Seu livro e suas gravações deixaram muito mais que somente sua técnica de indução rápida. A primeira cirurgia cardíaca de tórax aberto utilizando somente hipnose no lugar de uma anestesia (por causa de vários problemas severos do paciente) foi conduzida por seus estudantes, tendo Dave Elman como orientador na sala de cirurgia.

 

Milton Erickson

Milton Erickson (1901-1980), psiquiatra norte-americano, especializado em terapia familiar e hipnose. Fundou a American Society of Clinical Hypnosis e foi um dos hipnoterapeutas mais influentes no pós-guerra. Ele publicou vários livros e artigos científicos na área. Durante a década de 1960, Erickson popularizou um novo tipo de hipnoterapia, conhecida como hipnose ericksoniana, caracterizada principalmente por sugestão indireta, "metáforas" (na realidade, analogias), técnicas de confusão, e duplo vínculos no lugar de uma indução hipnótica clássica.

Enquanto a hipnose clássica é direta e autoritária, e muitas vezes encontra resistência do paciente, a forma que Erickson apresentou é permissiva e indireta.9 Por exemplo, se na hipnose clássica é utilizado na indução "Você está entrando agora em um transe hipnótico", na hipnose ericksoniana a indução seria utilizada na forma "você pode aprender confortavelmente como entrar em um transe hipnótico". Desta forma, dá a oportunidade ao paciente a aceitar as sugestões com as quais se sentirão mais confortáveis, no seu próprio ritmo, e com consciência dos benefícios. A pessoa a ser hipnotizada sabe que não está sendo coagida, tomando para si a responsabilidade e a participação na sua própria transformação. Como a indução se dá durante uma conversa normal, a hipnose ericksoniana também é chamada de hipnose conversacional.

Erickson insistia que não era possível instruir conscientemente a mente inconsciente, e que sugestões autoritárias seriam muito mais prováveis de obter resistência. A mente inconsciente responderia a aberturas, oportunidades, metáforas, símbolos e contradições. A sugestão hipnótica eficaz, então, seria "artisticamente vaga", deixando a oportunidade para que o hipnotizado possa preencher as lacunas com seu próprio entendimento inconsciente - mesmo que eles não percebam conscientemente o que está acontecendo. Um hipnoterapeuta habilidoso constrói essas lacunas nos significados de modo que melhor se adequa para cada indivíduo - de uma forma que tem a maior probabilidade de produzir o estado de mudança desejado.

Por exemplo, a frase autoritária "você vai deixar de fumar" teria uma menor probabilidade de atingir o inconsciente que "você pode se tornar um não-fumante". A primeira é um comando direto, para ser obedecido ou ignorado (e observe que ela chama a atenção para o ato de fumar), a segunda é um convite aberto para uma mudança permanente e possível, sem pressão, e que é menos provável de encontrar resistência.

Richard Bandler e John Grinder identificaram esse tipo de linguagem "artisticamente vaga" como uma característica do seu 'Milton Model', como uma tentativa sistemática de codificar os padrões de linguagem de Erickson.

"Eu digo isso não porque este livro é sobre minhas técnicas hipnóticas, mas porque já passa da hora de entender que a necessidade de reconhecer que uma comunicação com sentido pleno necessita substituir verborréias repetitivas, sugestões diretas e comandos autoritários" - Milton Erickson.

Conceitos de hipnose

      Segundo Milton H. Erickson:

“Suscetibilidade ampliada para a região das capacidades sensoriais e motoras para iniciar um comportamento apropriado.”

            Segundo a American Psychological Association — (1993):

“A hipnose é um procedimento durante o qual um pesquisador ou profissional da saúde, sugere que um cliente, paciente ou indivíduo experimente mudanças nas sensações, percepções, pensamentos ou comportamento.”

               Segundo os psicólogos Clystine Abram e Gil Gomes:

“A hipnose é um estado de concentração focalizada que permite acessar as estruturas cognitivas, os pensamentos e as crenças, identificando os sentimentos que estão relacionados a essa forma de processar os estímulos percebidos. Adequando o processamento das percepções e absorvendo o que é sugestionado.”

            Segundo o psicólogo e especialista em Hipnose, Odair J. Comin:

“A hipnose é um conjunto de fenômenos específicos e naturais da mente, que produzem diferentes impactos, tanto físicos quanto psíquicos. Esses fenômenos poderão ser induzidos ou autoinduzidos através de estímulos provenientes dos cinco sentidos, sejam eles conscientes ou não.”

             Segundo o Dr. Sydney James Van Pelt — (1949):

“Hipnose é uma super concentração da mente. Normalmente a mente se ocupa de vários estímulos ao mesmo tempo; no estado de hipnose, a concentração se dá apenas em uma única coisa, mas em um grau mais elevado do que o estado

comumCompetência, método e técnica em hipnose

Método refere-se ao caminho utilizado por um sujeito para alcançar dado objeto; técnica, ao instrumento utilizado para esse fim  

Quanto ao método, é essencial que o hipnotizador estabeleça estreito vínculo de confiança com o intencionado a ser hipnotizado. Assim, a empatia entre ambos é, em realidade, o caminho através do qual a(s) técnica(s) poderá(ao) ser aplicada(s).Conquanto psicólogos e médicos hipnoterapeutas possam reivindicar exclusividade em tal domínio, é também verdadeiro que hipnotizadores leigos podem desenvolver as habilidades de hipnose com perfeito sucesso em praticamente todas as áreas.

É de se observar que países diferentes tratam diferentemente a matéria. Na Inglaterra e em muitos países europeus, não é exigida essa formação pregressa para que o hipnotizador exerça efetivamente a hipnoterapia: basta que, submetido, a uma banca examinadora competente, comprove ser capacitado para tal. Nos Estados Unidos a profissão de hipnoterapeuta está registrada no catálogo federal de ocupações há mais de 30 anos, sendo que profissionais não formados nas áreas de medicina ou psicologia trabalham apenas com mudanças vocacionais e avocacionais, podendo, sob recomendação, auxiliar em tratamentos médicos e psicológicos através da hipnoterapia. No Brasil a hipnose é uma técnica de livre exercício.

Há todo um conjunto de técnicas desenvolvidas para levar o paciente a experimentar tal estado especial, entre elas:

  • Fixação do olhar;
  • Sugestões verbais;
  • Indução de relaxamento ou visualizações;
  • Concentração de foco de atenção, geralmente interiorizado;
  • Aplicação de estímulo de qualquer natureza, repetitivo, rítmico, débil e monótono;
  • Utilização de aparelhos eletrônicos, com estímulo de ondas cerebrais alf

Características do estado hipnótico

Transe hipnótico não é inconsciência

Embora durante a indução hipnótica frequentemente se utilizem expressões como “durma” e “sono”, tal é feito porque tais palavras criam a disposição correta para o aparecimento do transe. Não significam, em absoluto, ingresso em estado inconsciente.

Traçados eletroencefalográficos de pacientes em transe, mesmo profundo, aparentemente adormecidos, revelam ondas alfa características do estado de vigília em relaxamento.

O paciente em transe percebe claramente o que ocorre à sua volta, e pode relatá-lo.

A parte mais importante da indução hipnótica se denomina rapport, que pode ser definido como uma relação de confiança e cooperação entre o hipnólogo e o paciente. Qualquer violação desta relação com sugestões ofensivas à integridade do paciente resultaria em interrupção imediata e voluntária do estado de transe por parte do mesmo. Infundado, portanto, o temor de revelar segredos contra a vontade ou praticar atos indesejados. Da mesma forma, a crença de que se pode morrer em transe, ou não mais acordar é meramente folclórica e não corresponde à realidade. Um paciente “esquecido” pelo hipnólogo sairia espontaneamente do transe ou passaria deste para sono fisiológico em poucos minutos.

Auto-hipnose

Na verdade o paciente não é propriamente hipnotizado, mas antes ensinado a desenvolver o estado de transe hipnótico. Tal só poderá ser realizado com seu consentimento e participação ativa e interessada nos exercícios propostos. A velocidade do aprendizado e os fenômenos que podem ou não ser desencadeados variam de pessoa para pessoa. O treinamento é composto de uma série de exercícios que vão aperfeiçoando a capacidade do indivíduo de aprofundar a sua experiência hipnótica.

Hipnoterapia: aplicações

Tratamento de doenças orgânicas e funcionais

Há um número muito grande de doenças em que não existe lesão ou comprometimento da estrutura de determinado órgão. Estas doenças são conhecidas como doenças funcionais, e nesse grupo de patologias a hipnose, assim como o efeito placebo, obtém excelentes resultados.

Como exemplos de disfunções, citam-se:

  1. Neurológicas: Enxaquecas e outras cefaleias crônicas; certas tonturas e vertigens; zumbidos (tinnitus);
  2. Digestivas: Gastrites; dispepsias; obstipações; certas diarreias crônicas (síndrome do cólon irritável); halitose;
  3. Respiratórias: Asmas brônquicas; rinites alérgicas; roncos e apneia do sono;
  4. Genitourinárias: Enurese noturna; incontinência urinária; disúria funcional; dismenorreia; tensão pré-menstrual.
  5. Sexuais: Impotência psicológica; frigidez e vaginismo; ejaculação precoce; diminuição do libido;
  6. Dérmicas: Urticária e outras alergias; doenças de pele associadas a fatores emocionais;
  7. Cardiovasculares: Hipertensão arterial essencial, certas arritmias cardíacas.

Em todas as outras doenças, hipnose também é indicada, podendo auxiliar quer no manejo dos sintomas desagradáveis ou ainda potencializando ou provendo os recursos de cura do próprio paciente.

Sabe-se hoje da íntima relação do sistema imunológico e fatores emocionais. A prática da hipnose pode predispor o organismo como um todo para a cura ou manutenção da saúde.

Obviamente não se indica a hipnose como tratamento isolado ou principal para doenças graves como o câncer. O paciente portador de câncer, entretanto, que receber treinamento em hipnose, pode precisar de menores doses de medicação analgésica, controlar melhor os efeitos adversos do tratamento quimioterápico e radioterápico, ter melhor apetite e disposição geral, além de uma postura mais positiva frente à doença e seu tratamento.

Entrevistas com Dr Luciano sobre o assunto:

Entrevista na Folha de São Paulo Hipnose e Ufologia

 

Psiquiatria pede cautela no uso da hipnose em investigações ufológica.

FABIO ANDRIGHETTO
da Livraria da Folha

O médico psicanalista e ufólogo Luciano Stancka adverte sobre os riscos do uso da hipnose em supostas abduções, nome dado ao rapto de humanos realizado por seres não-humanos, frequentemente atribuídas aos tripulantes dos óvnis.

Arquivo Pessoal

 

A hipnose --uma espécie de estado mental induzido-- é famosa graças às apresentações realizadas com a finalidade de entretenimento. Porém, se não for realizada por um especialista, é considerada exercício ilegal da medicina.

O tratamento hipnótico só pode ser indicado por um perito da área. Um paciente não deve exigir o método terapêutico, assim como não impõe ao médico a prescrição de morfina.

Alguns dos supostos abduzidos apresentam estresse pós-traumático e podem ter passado por alguma experiência violenta.Em entrevista para a Livraria da Folha, Stancka disse que o tratamento ajuda em alguns casos, mas ressalta que a hipnose pode induzir a invenção de histórias complexas sobre experiências jamais vividas.

 

 

 

 

 

Como a psiquiatria pode ajudar em pesquisa ufológica

 

Entrevista publicada na Revista Ufo

 

 

 

A Ufologia pode não ser uma ciência, como alegam aqueles que não reconhecem o assunto como merecedor de atenção. Mas constantemente emprega recursos estabelecidos e amplamente usados por variadas disciplinas científicas em seu trabalho. Geografia, química, física, sociologia, psicologia, história, medicina e várias outras áreas têm seus recursos “emprestados” pelos ufólogos em suas investigações. Afinal, o Fenômeno UFO se manifesta em nosso meio ambiente e interage com seres humanos, que são objetos de estudo das citadas ciências. Entre elas, a psiquiatria desempenha papel de fundamental e crescente importância, não somente ajudando na determinação de padrões de ocorrências ufológicas – especialmente as abduções –, mas também no tratamento de eventuais traumas adquiridos pelas testemunhas e abduzidos após seus encontros com aliens.

Em nosso país, o emprego da psicologia e psiquiatria na investigação ufológica ainda é embrionário, ao contrário dos Estados Unidos, onde já são empregadas há décadas. Mas o avanço da associação da Ufologia com tais disciplinas aumenta rapidamente com a adesão de um número crescente de profissionais destas áreas, que passam a encarar o assunto com a seriedade que ele exige. Entre os pioneiros a fazê-lo está o médico psicossomático, acupunturista e hipnólogo, Luciano Stancka e Silva, que trabalha na Clínica Hiperbárica de São Paulo e exerce suas atividades em consultório particular na capital paulista. Luciano é consultor de UFO há mais de 10 anos e já tratou de várias testemunhas de manifestações ufológicas – algumas das quais se diziam abduzidas. Estas tinham sintomas clínicos e psicológicos relevantes, que comprometiam a normalidade de seu dia-a-dia. Seu trabalho é reconhecido em todo o país e tem proporcionado subsídios à compreensão dos mecanismos de interação de UFOs com as pessoas.“A psiquiatria tem boas ferramentas para lidar com a casuística ufológica, mas seu uso deve ser responsável. Especialmente no caso de tratamentos a pessoas traumatizadas após experiências marcantes”, afirma Luciano. Ele é o nosso entrevistado da edição 94 de UFO.

UFO — Como exatamente a psicanálise pode ajudar na compreensão dos mecanismos de contato entre seres humanos e extraterrestres?

STANCKA — Psicanálise é a parte da psicologia que, através de métodos de investigação e análise, procura descobrir no inconsciente das pessoas as tendências, desejos e manifestações que perturbam suas mentes, trazendo à luz da consciência esses fatores perturbadores e revelando-os para que possam ser tratados com a psicoterapia. Como é um método tradicional de estudo e tratamento de distúrbios psíquicos e traumáticos, a psicanálise pode ser um instrumento de ajuda na compreensão e atenuação da situação inusitada vivida pelo indivíduo abduzido, que se sente inseguro e invadido, que apresenta sonhos desconexos e aterrorizantes – além de manifestações físicas desagradáveis, como enjôo, diarréia, vertigens, tonturas, sensações de calor, frio, formigamento, lapsos de memória etc, muito comuns a experiências do gênero.

UFO — Como funciona o procedimento médico em casos em que há suspeita de abdução por extraterrestres?

STANCKA — Assemelha-se ao procedimento médico clássico de abordagem de um paciente psiquiátrico. Primeiro se faz uma anamnese no paciente, que é o interrogatório clínico que visa coletar todos os dados relevantes sobre a atual situação do paciente e deve conter diversos itens essenciais. Todos os dados pessoais e antecedentes do indivíduo devem ser anotados. A anamnese também busca saber se a pessoa tem algum histórico de doenças anteriores, se já fez alguma cirurgia, se já teve algum episódio convulsivo, fez transfusão de sangue, tem algum tipo de alergia etc.

 

UFO — Quer dizer que o tratamento de um possível abduzido é basicamente idêntico ao que se aplica a um paciente que chega ao seu consultório com histórico de distúrbio psiquiátrico?

STANCKA — Praticamente sim. Porque se trata de um ser humano necessitando de auxílio e a conduta médica é padrão. Inclusive, registramos muito mais dados sobre o paciente, como seus antecedentes familiares, por exemplo. Se ele tem algum membro diabético ou hipertenso na família, se seus filhos são saudáveis, coisas assim. Tudo ajuda a determinar um quadro clínico. Precisamos saber o máximo sobre a pessoa, desde as questões mais simples até as mais complexas.

UFO — E qual é o passo seguinte, então?

STANCKA — É o interrogatório psíquico. Nessa fase da anamnese observamos a aparência geral do paciente, seu modo de andar, postura, fala, vestimenta, expressão facial, idade aparente, atividade motora e sua atitude em relação ao examinador, que anota suas impressões. Também se avalia o estado de afeto ou humor do paciente, sua expressão geral, tendências e pensamento. É importante saber se o paciente tem algum tipo de bloqueio ou preocupações incomuns, se demonstra ter idéias delirantes ou crenças fixas, ou ainda se sente controlado por forças estranhas. Fazemos isso em pacientes comuns e pacientes “ufológicos”.

UFO — Algum sintoma em especial pode chamar a atenção do médico?

STANCKA — Tudo tem que ser levado em consideração e examinado. O que pode parecer um sintoma para um paciente, pode não ser para outro. Igualmente, coisas comuns a muitas pessoas têm interpretações diferentes de indivíduo para indivíduo. Por exemplo, se tem medo do escuro e dorme de luz acesa, se tem sonhos freqüentes e repetitivos, se acordam subitamente à noite com pesadelos e se esses fatos, quando se dão, ocasionam reações físicas, tais como fome, diarréia, marcas no corpo, hemorragias etc.

UFO — Você já tratou vários casos de pessoas que adquiriram algum tipo de trauma decorrente de encontros com alienígenas. Você vê risco nestas experiências?

STANCKA — É importante salientar que já tratei de vários casos de pessoas que alegaram ter tido encontros com aliens, que, na maioria das vezes, tinham seqüelas que perduraram por meses ou até anos, como medo, sonhos, perturbações no pensamento, insônia, perda do apetite, diarréia e emagrecimento. Na maioria desses episódios é necessária a prescrição de medicamentos, como ansiolíticos e antidepressivos, a fim de a pessoa voltar a suas atividades normais.

UFO — Há diferenças entre os abduzidos clássicos daqueles indivíduos que julgam estar em contato permanente com ETs?

STANCKA — Na grande maioria dos casos, sim. Esses supostos contatados se sentem “escolhidos” pelos seres extraterrestres e não apresentam os sintomas físicos descritos. Mas demonstram uma grande insistência em impor suas convicções aos outros. Alguns chegam a abandonar suas antigas religiões e passam a ser pregadores de uma nova era. O risco é de que essas pessoas não consigam se adaptar a sua nova forma de vida, alienando-se. Daí perdem seus amigos, empregos e até mesmo a família por causa dessas novas convicções. Pesquisei um caso assim, de um guarda noturno de Rondonópolis (MT) que, após ver uma luz muito forte, passou a se sentir conhecedor de grandes segredos e a acreditar ter poderes que ninguém mais tinha. Só que esses poderes, na prática, não existiam e os tais conhecimentos nada diziam. Essa experiência o fez batizar seu filho de Ovenis Homis Terraquius.

UFO — Você reconhece a hipnose regressiva como um instrumento eficaz de pesquisa de casos de contatos diretos com ETs, em especial as abduções?

 

STANCKA — Veja, há um número crescente de casos ufológicos que vêm sendo investigados e dados como verídicos porque os indivíduos que passaram por tais experiências disseram isso ou aquilo sob hipnose. Não é bem assim e gostaria de dar uma contribuição aos pesquisadores. Quero alertar para o fato de que o que vem sendo feito em muitos casos está gerando um aumento na complexidade da pesquisa ufológica, colocando aspectos da imaginação humana à frente do fenômeno em si e levando os pesquisadores ao erro.

UFO — Quer dizer que você vê um risco no uso da técnica para fins ufológicos?

STANCKA — É importante que saibamos que nós somos seres complexos e a ciência médica, com os últimos estudos nas áreas da psicologia, psiquiatria e mais recentemente a neuropsiquiatria, vem apresentando novas e importantes descobertas sobre a mente humana, que revolucionam o que se sabia. Para isso, a medicina conta com um arsenal tecnológico que possibilita investigar a mente com aparelhos de última geração e medir, mensurar, o tipo de distúrbio que o cérebro de um indivíduo vem apresentando. Temos hoje modernos eletroencefalógrafos, aparelhos para mapeamento e escaneamento cerebral, além de ressonância magnética etc, que nos possibilitam, com pequenas chances de erro, saber o tipo de problema que a mente humana vem apresentando. Esses avanços também podem determinar se um dado distúrbio numa pessoa é decorrente de algo natural ou de uma abdução por aliens.

UFO — Ainda assim, o uso da hipnose pode ser validado na pesquisa ufológica?

STANCKA — Claro, mas com cautela. Veja que a hipnose é uma técnica terapêutica anterior ao conhecimento atual, usada por toda a Antigüidade. Há provas de que os egípcios, assírios, babilônios, romanos, astecas e maias já a utilizavam para tratar doentes. No Egito, por exemplo, existiam os “templos dos sonhos”, onde se aplicavam aos pacientes sugestões terapêuticas enquanto dormiam. Os gregos realizavam peregrinações a Epidaurus, onde se encontrava o templo do deus da medicina, Esculápio. Ali, os peregrinos eram submetidos à hipnose pelos sacerdotes, que invocavam alucinatoriamente a presença de sua divindade para indicar os possíveis métodos de cura. Portanto, hipnose não é propriamente uma novidade, nem mesmo para a Ufologia, que vem usando a técnica há três ou quatro décadas. Mas tal uso deve ser muito bem controlado.

UFO — A hipnose pode induzir o paciente a criar fenômenos ufológicos?

 

STANCKA — Se não houver o emprego do método certo, poderá haver deturpações. A hipnose pode, sim, levar a estados alterados de consciência e exemplos disso vêm tanto do passado quanto da atualidade. É sabido hoje que, num transe hipnótico, o indivíduo sucumbe de tal forma a sua própria vontade que se confunde ou entra em choque com as idéias ou a imaginação do hipnotizador. O paciente, sem se dar conta do fato conscientemente, projeta sobre o hipnotizador os efeitos hipnóticos de suas próprias características, assim como seus desejos de fazer milagres e ser especial, suas fantasias e sonhos interiores. Pelo lado psicológico da questão, a hipnose se explica, entre outras coisas, como um fenômeno de projeção.

UFO — A hipnose pode ser uma forma de se sugestionar um indivíduo?

STANCKA — Sim, pode. Contrariamente ao que ensinam os livros populares, a fé inabalável no hipnotismo e a forte vontade não constituem atributos fundamentais e diretos do hipnotizador, mas sim do paciente. A experiência mostra que os melhores pacientes são precisamente os tipos impulsivos, os voluntariosos. Em suma, são pessoas de muita vontade ou vontade forte. O especialista Howard Warren definiu a hipnose como “um estado artificialmente induzido, às vezes semelhante ao sono, porém distinto do mesmo e tendente a aguçar a sugestibilidade, acarretando modificações sensoriais e motoras, além de alterações de memória”. Isso quase equivale a dizer que a hipnose é, antes de qualquer coisa, do princípio ao fim, sugestão.

UFO — Como estão os estudos acerca da técnica hipnótica, hoje?

STANCKA — Atualmente, dividimos os estágios hipnóticos em cinco fases. Na fase chamada insuscetível o indivíduo não apresenta características hipnóticas de espécie alguma. Já na seguinte, a hipnoidal, ele demonstra relaxamento muscular, expressão de cansaço e freqüentemente um tremor nas pálpebras, além de contrações espasmódicas nos cantos da boca. Há em seguida o chamado transe ligeiro, que é o terceiro estágio. Nesse momento, o hipnotizado sente os membros pesados e o corpo todo apresenta uma alienação da realidade, embora a mente conserve ainda plena consciência de tudo que se passa ao redor. O indivíduo pode apresentar rigidez cataléptica em olhos e membros, e demonstra pouca inclinação a falar. Tem ainda tendência a responder as perguntas com movimentos da cabeça ou da mão, pois já não quer se mover ou mudar de posição.

UFO — O que vem a seguir nesse processo?

STANCKA — Bem, depois vem uma parte muito usada na pesquisa ufológica, que é o quarto estágio, o do transe médio, quando o indivíduo ainda pode conservar alguma consciência. Mas agora é que podemos dizer que está hipnotizado de fato e não resiste mais às sugestões, salvo aquelas contra seu código moral ou interesses vitais. Nessa altura há a catalepsia completa dos membros e do corpo, amnésia parcial, alucinações motoras e completa inibição muscular. Nesse estágio, por exemplo, um médico já consegue analgesia [Anestesia] no paciente e nele podem ser feitas pequenas cirurgias. Daí, chegamos finalmente ao transe profundo, o último estágio. Este é o verdadeiro estado hipnótico. Agora o paciente aceita sugestões pós-hipnóticas por mais bizarras que sejam. Em transe profundo se pode mandar o hipnotizado abrir os olhos sem prejuízo do procedimento.

UFO — É nesse estágio que podem ser reveladas experiências ufológicas ocultas na mente do paciente?

 

STANCKA — Agora, sim. É nesse estágio que se faz efetivamente a regressão de memória na pessoa. Normalmente, a indução ao transe profundo exige de 30 minutos a uma hora de trabalho ininterrupto. Quando se chega a esse ponto há uma série de características que o paciente apresenta. Dentre elas, a mais certa para se avaliar se o indivíduo está mesmo hipnotizado é a ausência do sentido ao tato. Assim, pode-se inserir uma agulha na pessoa sem que ela tenha reação alguma. A ausência dessa reação indica transe médio ou profundo. Outro teste consiste em levantar o braço da pessoa e deixá-lo erguido. Se ele permanecer assim, é sinal de que a hipnose está em andamento. E outra característica é que o paciente, nesta fase, não se mostra inclinado a falar, e sim a responder as perguntas positiva ou negativamente, com a cabeça ou mão.

UFO — É aí que a Ufologia se “apropria” da técnica para seus fins?

STANCKA — Sim, a partir desse estágio, quando a pessoa está plenamente hipnotizada, é que se começa a reconstituição dos fatos relativos a uma eventual abdução. A certeza de que o indivíduo está mesmo em transe profundo advém da observação constante e cuidadosa de muitos fatores físicos. Ainda nessa fase há diminuição do pulso e da pressão da pessoa, suas extremidades dos pés e mãos ficam mais frias e ela apresenta hipermnesia, que é a lembrança de coisas esquecidas de seu passado. Alucinações visuais e auditivas também são freqüentes quando se chega nesse ponto, como a possibilidade de regressão de memória. A partir desses parâmetros clínicos podemos dar credibilidade a hipnose, devendo a mesma ser repetida em algumas sessões para que, aí sim, tenhamos realmente informações com consistência.

UFO — Há risco para os resultados de uma pesquisa se esses requisitos não forem totalmente atendidos?

STANCKA — Olhe, pela dificuldade ou custo do procedimento hipnótico, no mínimo os parâmetros clínicos descritos devem ser observados, a fim de realmente se obter algo muito próximo da verdade. Do contrário, vamos ter inúmeras distorções confundidas com estados psicóticos. O estresse e ansiedades familiares podem facilmente ser transformados em fantasiosos contatos com alienígenas, acabando por serem divulgados por ufólogos sem conhecimento da técnica como legítimos, aumentando assim a quantidade de casos dúbios da Ufologia. Temos distúrbios clínicos, como a “síndrome da falsa memória”, que acomete pessoas sob o estresse da vida cotidiana. Elas passam a criar inverdades e a acreditar nelas de uma tal forma que convencem a terceiros. Vários casos supostamente ufológicos ocorridos nos Estados Unidos, de alegados contatos traumáticos com ETs, quando voltaram a ser investigados por profissionais competentes – e não por curiosos sem preparo técnico e científico –, resultaram ser o produto de seqüelas normais.

UFO — Essa falha na condução das sessões de hipnose se aplica a ufólogos, também?

STANCKA — Certamente! Isso inclui muitos ufólogos também, que na ânsia de pesquisar casos impactantes e depois terem algo “quente” para divulgar, acabam por induzir testemunhas a abandonar suas próprias idéias e convicções e a crer terem passado por uma abdução. Isso é o que chamamos de “síndrome da falsa memória”.

 Algo muito similar ocorre na “síndrome do feto desaparecido”, que atinge mulheres que sofrem intensas pressões sociais e familiares. Elas, na luta por uma posição privilegiada na sociedade, competindo lado-a-lado com o homem pelo mercado de trabalho, vivem quadros de tensão, estresse e alterações que aumentam a produção de hormônios que inibem a fertilidade, como a prolactina. E por mais que tentem engravidar, não apresentam condições hormonais para isso. Em casos graves, algumas mulheres entendem seus atrasos menstruais como gravidez. Mas após um período de semanas ou meses, há uma melhora do quadro hormonal, vem a menstruação e elas crêem que tiveram um aborto. Aplicando esse quadro à Ufologia, temos casos de mulheres suscetíveis que imaginam ter sido abduzidas e engravidadas por ETs, que vêm a perder seus fetos após apenas alguns meses de gestação. E o que ajuda esse quadro a se agravar são filmes de abduções, leitura de obras de ficção científica, a pregação de ditos contatados etc.

UFO — Suas informações contrariam muitos estudiosos. Servem de alerta para evitar exageros?

STANCKA — Sim, é um alerta que eu faço aos pesquisadores e grupos de Ufologia, para que, ao depararem com casos de supostas abduções, que necessitem de hipnose regressiva, que busquem a assessoria de profissionais de medicina. Assim como quando os casos ufológicos requerem, deve-se buscar ajuda de especialistas em áreas como astronomia, geologia, biologia etc. Só dessa maneira construiremos uma Ufologia séria e respeitada, feita de pesquisas objetivas e aprofundadas. Sempre digo que a hipnose é excelente para colocar coisas na cabeça das pessoas, mas para retirar informações de lá, essa é outra história...

UFO — Como você encara alegações de pessoas que afirmam poder provocar um contato com alienígenas quando querem? Elas devem ser vistas com cautela, investigadas ou ignoradas?

STANCKA — Eu particularmente prefiro investigar esses casos, mas sempre tendo cautela e rigor científico. Afinal, sou ufólogo desde os 16 anos. Já fiz inúmeras vigílias e vi coisas interessantes, que foram até filmadas e exibidas nos principais canais de televisão do país. Acredito que o Fenômeno UFO é real, mas desconfio muito das pessoas que o usam para se auto-promover, criar seitas, escrever livros mirabolantes, fundar comunidades etc. Não podemos nos esquecer que existem patologias mentais que podem levar indivíduos a muitas elucubrações. Lembra do ditado que de médico e de louco todo mundo tem um pouco? Pois é. Uns tem um pouco mais de louco e querem extravasar isso de alguma forma – e o meio ufológico é uma excelente área. Temos como exemplos as seitas criadas por visionários como Jim Jones, que levaram ao suicídio centenas de pessoas. E seitas de falsos gurus, que levam o dinheiro de seus integrantes com o pretexto de divulgar o trabalho dos ETs na Terra – ou ainda vendendo caro coisas absurdas, como pedrinhas em forma de disco como fontes imensuráveis de conhecimento.

UFO — Essas pessoas representam um risco para a Ufologia, em sua opinião?

STANCKA — Claro, elas normalmente não procuram tratamento. Esses indivíduos vêem todos com desconfiança porque, para eles, os demais é que não “entendem sua proposta”, que “não são iluminados”. O mais incrível é que sempre aparecem seguidores desses falsos gurus e compram suas mentiras como grandes verdades. Muitos passam a ter comportamento mitômano, pois também começam a mentir e a viver de suas mentiras, pregando-as a seus conhecidos e até convencendo outros a delas participar. Isso acaba virando uma reação em cadeia que cria novas seitas.

UFO — O que você acha dos números apresentados por ufólogos como Budd Hopkins e David Jacobs, cujas pesquisas indicariam que há milhões de pessoas abduzidas em todo o mundo, mas 99% delas não têm conhecimento disso?

STANCKA — Acho um grande exagero e até um desserviço para a Ufologia, pois essas afirmações são muito fortes e contundentes. Elas servem para vender livros, fazer filmes e gerar capital. Jacobs, por exemplo, em seu livro A Ameaça [Editora Rosa dos Tempos, 2000], parece ter se baseado no filme Arquivo X. Ele se perde no decurso do livro propondo textualmente o que o filme apresenta: que somos abduzidos para hibridização do ser humano com ETs, e nada podemos fazer contra isso. Jacobs argumenta que esse é nosso destino final, é só uma questão de tempo. Suas opiniões não são consenso na Ufologia Mundial, e são justamente afirmações desse tipo que a imprensa sensacionalista adora usar para tirar a credibilidade do estudo sério da Ufologia. Acho que os ufólogos devem rebater mais essas afirmações e discutir esses temas polêmicos, para não permitir que essas idéias criem mais raízes ou até novas seitas...

“A hipnose pode, quando bem aplicada por um profissional, ajudar a combater traumas diversos que uma pessoa apresente, originados por problemas do passado”

“A psiquiatria tem boas ferramentas para lidar com a casuística ufológica, mas seu uso deve ser responsável. Especialmente no caso de tratamentos de pessoas traumatizadas”

— LUCIANO STANCKA

Matéria publicada :

HOMEM DE BRANCO Médico trata de pessoas abduzidas

 

HOMEM DE BRANCO

Médico trata de pessoas abduzidas

Ele cuida de pessoas que dizem que foram abduzidas; e acredita nelas.

MARIANA VIKTOR

 

Luciano Stancka

é médico com especialização em psicanálise  psicoterapia e hipnólogo

 Por que você foi parar nessa área?

Desde os 14 ou 15 anos me interesso por ufologia, por causa de um professor que falava muito disso em aula. À época, ele tinha um programa de TV chamado “Inteligência” onde ele apresentava o tema e despertou o meu interesse.

 

Dentro da fenomenologia ufológica há o contatado – o indivíduo que teve contato com os ETs – ou o indivíduo que foi abduzido, ou seja, que contra a sua vontade é levado por um óvni. A ufologia inclui um desmembramento grande: há o avistamento, há os que dizem que têm contato com óvnis ou com seres extraterrestres e tem os que se dizem raptados por esses seres.

 

A grande diferença é que o contatado manteria um contato telepático ou algo assim brando, enquanto o abduzido é levado contra a sua vontade. Daí a nossa pesquisa, dentro da área do comportamento humano, sobre o que é verdade e o que é imaginação. Até a ufologia, a meu ver, é o estudo do comportamento humano frente a um fenômeno desconhecido. Assim como há as distorções das religiões – tem gente que diz que fala com Jesus e com santos – também há quem converse com ETs. É verdade ou mentira? Então, dentro da ufologia – que busca seguir uma linha mais científica – vamos ter a investigação daquela ocorrência que a pessoa está contando e ver se é real ou é fruto da imaginação ou uma forma de ela chamar atenção.

 

Quem costuma dedicar-se a esse campo de estudo no Brasil?

Temos os grupos ufológicos, a revista UFO – que é a publicação especializada no assunto há mais de 30 anos...

 

Existe um grupo de médicos estudando o comportamento humano diante disso?

Não. Há médicos dentro dessas agremiações que se interessam e que eu conheço e há os mais ou menos especializados nas pesquisas desses fenômenos.

 

Quantos médicos se interessam por isso no Brasil?

Há vários. Mas há o médico que é crédulo – e sua investigação é complicada nesse sentido, porque sua fé acaba interferindo e fica colocada na frente da ciência. O resultado são médicos falando besteiras sobre Zé Arigó etc. Ou seja, é preciso ter um conhecimento e uma vivência para você poder entender e conhecer mais a fundo esse tipo de fenômeno.

 

Quantas pessoas com esse tipo de problema você atendeu?

Eu sou consultor da revista UFO e sou um dos únicos médicos da UFO, e então eu tive a oportunidade de atender um guarda noturno, por exemplo, que foi encontrado desmaiado depois de dar alguns tiros com seu revólver. Pensaram que ele tinha sido assaltado ou coisa assim. Ele disse, porém, que viu uma luz de um objeto muito luminoso que direcionou a luz para ele, ele se apavorou e, depois de atirar, ele desmaiou. Ele contou que foi levado para uma sala onde havia seres de olhos e cabeças grandes e onde ele foi examinado numa espécie de consultório. Há casos em que o indivíduo apresenta marcas, lesões, eczemas e equimoses que ele não teria como produzir por si, pelo tipo de lesão. O sujeito fica, por exemplo, com as costas cheias de marquinhas roxas, como se tivesse recebido uma série de ventosas ali.

 

Esse caso do guarda noturno foi em São Paulo?

Não, esse foi um caso conhecido e aconteceu em Rondonópolis. Há casos e casos. Quando há uma história corroborada – essa é uma das investigações da ufologia – por várias testemunhas, ela terá um grau de credibilidade maior que aquele que só o indivíduo é testemunha. Esse caso em si apareceu em todos os jornais da época – acho que foi na década de 1980 – e a investigação gira em torno de saber se mais gente viu e em avaliar psiquiatricamente o indivíduo para saber se ele toma drogas, se estava alcoolizado. É uma triagem.

 

Quantos casos você atendeu até hoje?

Uns 40 ou 50 casos como médico.

 

Desses 50 casos, quantos você teve grandes evidências de que se tratava de um contato real com ETs?

Toda evidência ufológica é falsa em 99% dos casos. A ufologia mundial considera em torno de 1% das fotografias, observações etc. reais. O resto é erro de interpretação, psicose, angústias e muitas vezes as chamadas falsas memórias, que é muito comum em medicina. A pessoa tem a maior certeza de que aquilo aconteceu e na realidade não aconteceu nada.

 

E o que seria isso? Um estado de sono, de sonho?

São estados psicóticos. É o que acontece com muitos pacientes que me procuram alegando contatos e que os seres falam com eles, eles têm implantes no corpo – e na realidade não existe nada. É uma ilusão da pessoa, algo que não é real e que a pessoa simula – é uma psicose.

 

Nós já pegamos alguns casos – eu participei até como repórter na Manchete Documenta, SBT Repórter e até a Globo já pagou para nós, porque o grande problema no Brasil é custo. Uma tomografia custa quase mil reais. Para você investigar, falta dinheiro. A Globo já chegou a pagar, foi o Caco Barcelos que falou com a gente, para ver se era verdade ou não. O caso mais famoso que tivemos foi a Operação Prato – que é um dos casos mais bem-documentados, onde, em Belém do Pará, as pessoas estavam tendo uma série de observações e dentre elas o prefeito entrou em contato com a Aeronáutica para investigar. As pessoas viam luzes muito fortes, que jogavam um raio de luz verde no peito das pessoas, ficava uma marca e a pessoa passava a apresentar sintomas de anemia, fraqueza, desânimo, angústia etc. E o pessoal da ufologia – a Comissão Brasileira de Ufologia – tem um processo contra o governo federal porque ele tem sonegado informações sobre esses eventos. E a Operação Prato é uma delas – todas as conclusões estão sob o manto do sigilo. Tem muita coisa oculta nisso, e ocorreu faz uns 15 ou 20 anos. Essas coisas tem na internet (www.ufo.com.br e o meu grupo: www.infa.com.br e também tem o www.tvinfa.com.br, que tem uma série de matérias que oferece uma bela idéia, com casos completos etc.).

 

Você já atendeu uma pessoa que teve contato real com óvnis?

Alguns casos, como esse de Rondonópolis e outro de Botucatu – que também foi muito comentado na época e que eu atendi a pessoa. Esse caso envolveu um vigia da Santa Casa de Botucatu e numa noite ele sentiu dor de cabeça, saiu de casa de madrugada para ir à farmácia e viu uma luz e sumiu. Quando voltou, veio pelado, com um óleo no corpo e marcas no peito semelhantes a hematomas e contou que foi levado para dentro de um UFO e chegou a ter uma relação sexual com uma mulher. A mulher, segundo ele, era normal, da Terra. O interessante nesse evento é que o vigia era muito humilde e chamava atenção a vergonha dele ao contar o ocorrido, porque ele é casado, tem filho. Como ele vai contar que foi levado por não sei quem pra não sei onde e transou com uma mulher? Teoricamente, ele ficou algumas horas sumido durante a madrugada – ele reapareceu por volta das 4 ou 5 da manhã. Ele chegou a ir na delegacia dar queixa – imagina a gozação! Na época eu fazia medicina em Botucatu e tive a oportunidade de ser um dos primeiros a falar com ele e ter uma idéia do que poderia ter acontecido.

 

Você chegou a tratá-lo? O que você sentiu dele?

Sim, porque nos casos verídicos a pessoa fica com angústia, diarréia, insônia terrível, pode apresentar até um quadro de Síndrome do Pânico – porque ela foi atacada, é como uma pessoa que sofre um seqüestro-relâmpago, um estresse pós-traumático – e nós temos uma forma de tratar disso dentro do quadro psiquiátrico que ela apresenta.

 

Como você tratou esse caso?

O caso foi para a TV, no Programa Flávio Cavalcanti, foi parar no “Notícias Populares”, com a manchete “Homem foi estuprado por ET”. Hoje melhorou a abordagem – hoje é normal você falar “eu faço reiki” – mas alguns anos atrás você seria considerada maluca. Imagine quem acreditava em disco-voador 30 anos atrás.

Esse caso eu acompanhei por uns 3 ou 4 anos. E o pior é que o camarada não era nada, era um anônimo, um porteiro de Santa Casa do interior, e de repente vira uma celebridade, assediado por jornalistas do mundo inteiro, vai pra TV, pro Flávio Cavalcanti, conhece personalidades, foi até para o exterior – é um Big Brother gigantesco. Imagina o dano psicológico que isso causa. E o que acontece depois de um tempo? A novidade passa... e ele volta a ser nada. E em ufologia é muito comum as pessoas que tiveram um primeiro evento real passarem a inventar histórias depois para manter a fama. “Ah, aconteceu de novo”. Aí a pessoa frauda marcas no corpo, a segunda história não tem a consistência da primeira. É a chamada ”síndrome do contatado”. E acontece na grande maioria dos casos – e com esse cara não foi diferente. Ele tinha no peito uma marca diferente. Eu presenciei pessoas falando assim: “Seu João, deixa eu ver a marca. Ele abria a camisa, a pessoa tocava a marca e se benzia”. O cara não era nada e virou um santo.

 

Como é o tratamento num caso desses?

Primeiro o ajudamos a diminuir a ansiedade, ajudá-lo a dormir novamente, a reduzir o quadro de pânico. Como em qualquer caso de estresse pós-traumático, ele vai melhorando e se encaixando novamente à sua rotina normal. É como uma mulher que é estuprada e tem um tratamento, um acompanhamento psiquiátrico – a situação dela é melhor que a da coitadinha que é estuprada e não pode nem falar pra ninguém. A tal mulher teve relações com ele e depois eles o mandaram de volta. E foi um caso importante porque a árvore ao lado da qual ele foi deixado tinha todo um lado da copa queimado – havia uma série de evidências físicas que chamavam muita atenção e dão veracidade ao caso.

 

Ele lembra da abdução ou desmaiou?

Ele lembra que foi levado, descreve o local, a mulher, que ela estava nua e que, quando ela aproximou a mão da cabeça dele, ele apagou e não lembra de mais nada. Ele não lembra nem do ato sexual. Interessante é que o FBI investigou vários casos de abdução nos EUA e descobriu que não houve abdução. As mulheres eram estupradas pelo pai, pelo primo, pelo tio e a mente apagou essa memória e coloca um ET no lugar. É uma forma de proteção que a mente tem. É bastante comum a mulher estuprada bloquear a lembrança da cara, do jeito da pessoa... ela apaga para se proteger do evento.

 

Esse caso do vigia foi real?

Sim, com certeza. Até porque em ufologia, um dos princípios é evitar ao máximo dar qualquer informação para a pessoa, porque ela pode usar a informação pra “enriquecer” seu relato e não se quer isso. Se você disser “o ser tinha cabeça grande?”, a pessoa tende a responder “isso!” É preciso um preparo para ver o que perguntar e como. Hoje todo mundo sabe o que é um ET – todos conhecem a história do ET de Varginha. Eu falo até sobre a hipnose numa matéria que você vai ler: a veracidade do relato sob hipnose é relativa, porque se você tiver um sonho muito vívido, sob hipnose você dirá que o sonho aconteceu de verdade. A hipnose é uma forma de sugestibilidade – não é porque a pessoa está hipnotizada que tudo que ela fala é real. Um psicótico que acredita que um ET o persegue vai confirmar isso sob hipnose. Por isso a hipnose não é usada como uma forma de o assassino confessar, por exemplo. Tem um caso famoso de um negro casado com uma branca nos EUA e eles tiveram um lapso de memória de mais de 10 horas e são levados a um médico hipnólogo e o cara tira toda uma história pela hipnose do que aconteceu, mas isso não significa que é verdade.

 

Qual o caso mais recente que você tratou e que tem grandes chances de ser real?

Na ufologia, você nunca sabe se aquilo é real ou não. Ainda mais com a divisão entre uma ufologia mais científica, mais pé no chão, e a chamada ufologia mística, que se reúnem e psicografam e falam com os seres de Alfa-Centauri e até com o famoso Comandante Ashtar Sheran, que estaria aqui para nos ajudar – e é incrível como o visual do Comandante lembra Jesus Cristo. Os mitos se modernizam. Ninguém mais se considera Napoleão, mas figuras modernas. E os seres dizem coisas pra pessoa, ela é especial, diferenciada.

 

Qual o caso mais legal que você atendeu, descontando o fato de ser verdade ou não?

Esse caso de Botucatu foi muito interessante, o caso de Rondonópolis – o camarada ficou alterado de tal forma que deu o nome do filho de “Óvnis Homis Terráquios”. Temos até uma cópia da certidão de nascimento. Pra você ver onde chega a loucura das pessoas.

 

Quando você percebe que é um caso de psicose, você consegue trazer de volta um pouco da sanidade da pessoa?

Se a pessoa segue o tratamento – é o caso do psicótico que ouve vozes, se sente perseguido, depressivo e tem grandes alterações de humor – a gente consegue ajudar muito a pessoa, dependendo do contexto. O problema é que muitas dessas pessoas freqüentam ambientes onde essa psicose é alimentada. É como a história do evangélico fanático: a congregação estimula sempre mais o fanatismo, precisa pagar o dízimo e não pode se afastar da igreja senão os demônios vão pegá-lo. É muito importante a participação da família, dos amigos. Costumam ser pessoas separadas, com distúrbios familiares – e que precisam de uma fuga da própria realidade.

 

E esse caso de Rondonópolis – o que aconteceu?

Essa pessoa, depois de ter visto essa luz, foi divulgado no jornal que ele teve duas paradas cardíacas e foi para o hospital. O irmão dele morava em SP, contatamos o irmão e eu comecei a tratar o cara – e nós constatamos que ele nunca teve parada cardíaca. Consegui na Santa Casa que ele fizesse tomografia para ver se teve alguma alteração neurológica, algum tumor... e não tinha nada. Ele disse que tinha uma insensibilidade, que podia furar o corpo, ser queimado com cigarro e falava isso para os jornalistas e eles diziam: “ah, então eu posso encostar o cigarro no teu peito?”... e ele dizia que sim, e tinha várias marcas de queimaduras e dizia que as pessoas podiam fazer que ele não sentia nada. Olha o perigo disso: enfiar uma agulha na barriga e ter uma peritonite, pela ignorância dos dois lados. É claro que ele sentia, mas a dor é relativa, é psicológica: tem gente que se arranha e morre de dor e outro que tem a coluna toda torta e não tem dor alguma. É o psicossomático. Qual a maior dor? Depende da pessoa, do momento, da fase da vida...

 

Os ETs somos nós?

O estudo da ufologia direciona a pesquisa para o próprio eu. Todo mundo gosta de ser o escolhido, aquele que viu, o especial. Eu já vi pesquisador botando um monte de besteira na cabeça da pessoa e o camarada aceitando e adorando aquilo. Um advogado, um economista, um contador vai a um congresso de ufologia para apresentar um caso que ele pesquisou – e  daí ele ganha fama e usa a ufologia pra ganhar a condição de especialista em algo que é a única coisa que sobrou pra ele.

 

Esse 1% de contatos reais... qual seria a razão? Já se sabe algo sobre?

É a grande pergunta. Quem são? De onde vêm? O que querem? Jacobs diz que eles fazem experiências e nós somos ratos de laboratório deles. Outros dizem que somos um estágio anterior à evolução deles – seus irmãos menores. Também a idéia de que os grandes governos – EUA, Rússia... – teriam conhecimento disso e acobertariam as informações.

 

Onde ocorre a maior incidência de casos no mundo?

O fenômeno é mundial e atemporal, desde que a humanidade é humanidade. Na Inglaterra tem aquela história dos círculos nas plantações.

 

Hipnose e Ufologia, Um Estudo do Comportamento Humano

 

   Com o crescente número de casos ufológicos investigados e confirmados como verídicos, reais, pois o indivíduo sob hipnose faz declarações, quero dar aqui uma contribuição aos pesquisadores, alertando que o que vem sendo feito, em muitos casos, está propiciando o aumento da complexidade da pesquisa ufológica.

   Estão colocando aspectos da imaginação humana à frente do fenômeno. Isso leva ao erro ou cria mitos que através da hipnose começam a arregimentar discípulos que distorcem a realidade a sua volta, levando pessoas ao suicídio coletivo como temos visto na mídia nos últimos tempos.

  Somos seres complexos e a atual ciência médica com os últimos estudos nas áreas da psicologia, psiquiatria e mais recentemente, a neuropsiquiatria, vem apresentando novas e importantes descobertas na área da mente humana, com a ajuda de um arsenal tecnológico que possibilita investigarmos a mente humana com aparelhos de última geração e medir, mensurar, o tipo de distúrbio que o cérebro do indivíduo vem apresentando.

   Temos hoje modernos eletroencefalógrafos, mapeamento cerebral, scaneamento cerebral, ressonância magnética, que nos possibilitam com pequenas chances de erro, saber o tipo de distúrbio que a mente humana vem apresentando.

   A década de 90 é conhecida no meio científico como a dos anos dos descobrimentos referentes a mente humana -"Década do Cérebro".  A identificação dos neuro hormônios como os controladores do nosso humor e bem estar abriram uma nova e importante forma de tratamento da mente humana com drogas que podem controlar estados alterados, desde a depressão até quadros graves de histeria e pânico, sendo até proposto de uma vez por todas o fechamento dos manicômios onde esses doentes eram simplesmente descartados.

   A prática do hipnotismo é uma técnica terapêutica anterior ao conhecimento atual usada por toda a antiguidade. Existem provas que egípcios, assírios, babilônicos, romanos, astecas e os maias, já utilizavam a hipnose para tratar doentes. No Egito existiam os "Templos dos Sonhos", onde aplicavam aos "pacientes" sugestões terapêuticas enquanto dormiam.

 

   Um papiro de 3.000 anos contém instruções técnicas de hipnotização, muito semelhantes aos que encontramos nos métodos contemporâneos. Inúmeras gravuras daquela época mostram sarcerdotes-médicos, colocando em transe hipnótico presumíveis pacientes. Os gregos realizavam peregrinações a Epidaurus, onde estava localizado o templo do deus da medicina, Esculápio. Ali, os peregrinos eram submetidos a hipnose pelos sacerdotes, que invocavam alucinatdamente a presença de sua divindade, a indicar os possíveis métodos de cura.

   As sacerdotisas de Ísis, postas em estado de transe manifestavam o dom da clarividência; hipnotizadas, revelavam ao faraó fatos distantes ou fatos ainda à ocorrer. Também os oráculos e as sibilas articulavam suas profecias sob o efeito do transe auto-hipnótico. Na hipnose, o hipnotizado sucumbe à sua própria vontade, que se confunde ou entra em choque com a idéia ou a imaginação do hipnotizador. Assim, a monotonia que é um dos fatores técnicos mais decisivos na indução hipnótica, para produzir efeito tem que se basear na reciprocidade. A monotonia externa,ou seja a monotonia do hipnotizador,tem de refletir, de certo modo, a monotonia do paciente.

   O paciente, sem se dar conta do fato, projeta sobre a pessoa do hipnotizador, os efeitos hipnóticos de sua própria monotonia, assim como projeta sobre o mesmo seus próprios desejos de fazer milagres, ser especial, fantasias e sonhos interiores. Pelo lado psicológico, a hipnose é explicada, entre outras coisas, como um fenômeno de projeção.

   Contrariamente ao que ensinam os livros populares, a fé inabalável no hipnotismo, e a vontade forte não constituem os atributos fundamentais e diretos do hipnotizador, mas sim do paciente. A experiência mostra que os melhores pacientes são precisamente os tipos impulsivos, os voluntariosos, em suma, as pessoas de muita vontade ou vontade forte.

   No Dictionary of Psycology, de Warren, a definição da hipnóse e a seguinte :

   " Hipnóse é um estado artificialmente induzido, às vezes semelhantes ao sono, porém distinto do mesmo, tendente a aguçar a sugestibilidade, acarretando modificações sensoriais e motoras, aém de alterações de memória".

Um estado tendente a aguçar a sugestibilidade

   Podemos dizer que a hipnose é antes de mais nada, do princípio ao fim, sugestão. Atualmente, os estágios hipnóticos são divididos em cinco : Insuscetivel, Hipnoidal, Transe Ligeiro, Transe Médio e Transe profundo (estado ssonambúlico).

1-Insuscetível - não apresenta características hipnóticas de espécie alguma. 2- Hipnoidal - apresenta relaxamento muscular, expressão de cansaço e freqüentemente ,um tremor nas pálpebras e contrações espasmódicas nos cantos da boca. 3-Transe Ligeiro - sente os membros pesados e o corpo todo. Apresenta um alheiamento, embora conserve ainda plena consciência de tudo que se passa ao redor.Pode apresentar rigidez cataléptica em olhos e membros. Demosntra pouca inclinação a falar;tem tendência a responder as perguntas com movimentos da cabeça ou a mão. Já não quer mover-se ou mudar de posição, a respiração é mais lenta e mais profunda. Oferece nesse estágio obediência à sugestões mais simples e ainda resistência às mais complicadas. 4- Transe Médio -ainda pode conservar alguma consciência, mas agora que podemos dizer que esta hipnotizado não oferece resistência as sugestões salvo aquelas contra o seu código moral, ou interesses vitais.

 

   Nessa altura acontece a catalepsia completa dos membros e do corpo, amnéia parcial, alucinações motoras, alucinações positivas e negativas dos sentidos, a completa inibição muscular. Nesse estágio já se consegue analgesia e pode ser feitas pequenas cirurgias. 5- Transe Profundo - este é o verdadeiro estado hipnótico. Agora o paciente aceita sugestões pós hipnótica mais bizarras. Possibilita poder mandar abrir os olhos sem prejudicar o transe. Os olhos abertos apresentam uma expressão impressionantemente fixa, estando as pupilas dilatadas visivelmente. Pode-se neste estágio assumir as funções orgânicas como no ritmo cardíaco, pressão arterial. Agora sim, faz-se a regressão de memória.

   Normalmente, a indução ao transe profundo exige de 30 minutos a uma hora de trabalho ininterrupto.

Sinais de Hipnose

   Dentre os sinais físicos de hipnose, o  mais digno de confiança é a anestesia,ou seja,a ausência do sentido do tato. Pica-se a mão do "sujet" sem aviso prévio e sem sugestão de espécie alguma. A ausência de reação indica transe médio ou profundo. Outro teste consiste em levantar o braço do "sujet" e deixá-lo erguido. Se o braço permanecer erguido é sinal de que há hipnose. Esse teste não oferece a mesma margem de segurança que o anterior. O "suget" não se mostra inclinado a falar, e sim a responder as perguntas positiva ou negativamente, com a cabeça ou mão. Tem uma ausência de iniciativa e espontaneidade. Não tosse, não muda de posição, mantém-se sério, resiste impassível à gargalhadas e ruídos sem se deixar contagiar.

   As mudanças fisiológicas como baixa da pulsação, quedas da pressão arterial. É comum ao iniciar o transe haver uma vaso-constrição e a seguir uma vaso-dilatação que se prorrogará ate o momento de se acordar, ou seja ,no começo a pressão pode subir um pouco e a medida que o transe evolui começa a cair. Há também mudanças na temperatura periférica de mãos e pés ficando as mesmas frias, conservando-se assim enquanto durar o transe. Para facilitar ainda mais a compreensão menciono a escala de avaliação de transe de: Lecron - Bordeaux

Insuscetível - ausência de toda e qualquer reação hipnoidal, relaxamento físico, aparente sonolência, tremor das pálpebras, fechamento dos olhos, relaxamento mental e parcial,  membros pesados, catalepsia ocular, catalepsia parcial dos membros. Inibição de pequenos grupos musculares,r espiração mais lenta, lassidão acentuada; pouca vontade de falar, pensar, agir, sensação de peso no corpo e sensação de alheamento parcial.

Transe médio -  O paciente reconhece estar em transe e sente, embora não o descreva .Inibição muscular ccompleta, amnésia parcial, ilusões cinestésicas. ilusões de gosto, alucinações olfativas, catalepsia geral dos membros e do corpo inteiro.

Transe Profundo - O paciente pode abrir os olhos sem alterar o transe. Olhar fixo e pupilas dilatadas, sonambulismo amnésia completa, anestesia completa, movimentos descontrolados do globo, sensação de leveza, estar flutuando, alheamento, rRigidez e inibição nos movimentos .

 

Transe Pleno -  Diminuição do pulso, regressao de memória, alucinações visuais auditivas. A partir desses parâmetros clínicos poderemos dar credibilidade a hipnose devendo a mesma ser repetida, em algumas sessões, para que ai sim termos realmente informações com sustentação da verdade.

   Usamos também aparelhos para demonstrar esses estados com segurança absoluta da veracidade dos mesmos. Pela dificuldade ou custo, no mínimo os parâmetros clínicos devem ser observados, afim de realmente obtermos algo mais próximo da verdade, do contrário vamos ter inúmares distorções, confundindo estados psicóticos, stress, ansiedades familiares sendo transformados em contatados e divulgados por ufólogos, com saciedade de casos. Não tendo um critério científico em suas pesquisas, aumentam ainda mais os casos dúbios da ufologia.

   Temos distúrbios como a Síndrome da Falsa Memória, que pessoas, estressadas pela vida cotidiana, passam a criar inverdades e acreditar nelas de uma forma tal que convencem a todos. Casos de estupros familiares efetuados pelo pai,tio, padrasto, irmão etc, são muito mais fáceis de serem aceitos se a mente tirar a pessoa da família e colocar a imagem de um extraterrestre que a abduzia e a molestava.

   Vários casos americanos, quando voltaram a serem investigados por profissionais competentes e não por  curiosos, sem preparo técnico científico (entre aspas alguns ufologos), na ânsia de ter casos pesquisados induziam ainda mais a pessoa, segundo as suas próprias crenças e cconvicções, a crer na abdução, levando ao que identificamos como Síndrome da Falsa Memória.

   Algo muito similar ocorre com a Síndroma do Feto Desaparecido, onde as pressões sociais e familiares levam a mulher, que hoje compete lado a lado com o homem pelo mercado de trabalho, levar a quadros de tensão, stress e alterações, que aumentam os hormônios. Eles inibem a fertilidade como a prolactina, e por mais que a mesma queira engravidar, ela não apresenta condições hormonais para isso o que gera atrasos menstruais a serem abortos, e em casos mais graves, auxiliados por filmes de TV, leitura de ficção científica, ufólogos contatados, a acreditarem que tiveram seus fetos roubados por Ets.

   Iso é algo muito sério que vem ocorrendo, pois não há um único caso comprovado, pesquisado, de roubo de fetos por seres do espaço.Mas, nos meios ufológicos  existem vários creditados como reais. Temos erros de interpretação, como fotos divulgadas de múmias de Ets pequenos. Fotos de bebês com sindromes dismorfogenéticas, pouco conhecidos do público comum podem certamente levar à graves erros de interpretação, com prejuízo da verdadeira pesquisa ufológica.

   Finalizando, deixo um alerta no sentido de que os grupos de ufologia devam ser assessorados por profissionais de várias áreas como astronomia, geologia, espelhologia e médicos, que estudem a área da mente humana , afim de contribuirmos para uma pesquisa mais séria e completa, para darmos à ufologia o respeito e seriedade que ela merece.

Dr. Luciano Stancka e Silva, Médico

 
 



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