Zinco e Imunidade

Zinco e Imunidade

Dra. Jussara E. F. Guerra Rodrigues*

O zinco apresenta um importante papel no sistema imune e sua deficiência pode acarretar em uma maior susceptibilidade a diversos patógenos, com aumento da morbidade de indivíduos zinco deficientes.

Vários setores da resposta imune, desde a integridade de barreiras mucosas até a regulação de genes dentro dos linfócitos, são influenciados pelo zinco, o qual também exerce papel fundamental no desenvolvimento e na função das células “natural killer”. O macrófago, uma célula pluripotencial com múltiplas funções imunes, é adversamente afetado na deficiência de zinco, que pode alterar a morte intracelular de patógenos, a produção de citocinas e a fagocitose. A imunidade humoral torna-se comprometida, com alterações na produção de imunoglobulinas, especialmente imunoglobulina G.

Porém, a imunidade celular é, sem dúvida, o setor da resposta imune mais afetado pela deficiência do mineral, a qual ocasiona alterações tróficas do timo (Chandra, 1988) e nos linfócitos (maturação, ativação e produção de citocinasTH1). Tudo decorrente da influência do zinco nas funções celulares básicas, como: síntese proteíca, replicação do DNA, transcrição do RNA, divisão celular e ativação das células imunes.

Deficiência de Zinco

A deficiência de zinco foi negligenciada por muito tempo, porém torna-se cada vez mais evidente sua elevada prevalência, principalmente nos casos de ingestão insuficiente de proteínas, como em crianças, idosos e em casos de desnutrição e anorexia.

Nos EUA a ingestão de zinco oscila entre 8 a 11 mg/dia. Pelo menos 40% dos americanos não consomem as quantidades mínimas recomendadas de zinco. Em dietas infantis o conteúdo diário de zinco varia de 5.5 mg a 8.5 mg, que fornece apenas de 55 a 85% das recomendações. As pessoas idosas geralmente consomem entre 7 a 10 mg Zn/dia, também abaixo da recomendação. Estes dois grupos, considerados grupos de risco, estão mais susceptíveis a desenvolver patologias relacionadas à carência crônica de zinco.

Zinco e sistema imune

Podemos afirmar que a função imunológica é seriamente reduzida quando os níveis plasmáticos de zinco estão baixos. Conforme previamente apresentado, o mecanismo de ação da imunoestimulação que o zinco exerce é complexo, embora a estimulação do hormônio do timo ( o qual o zinco é um cofator essencial) pareça ser o mais importante.

O timo é indispensável para diferenciação celular dos timocitos (células T jovens). As células do tecido epitelial secretam os hormônios do timo, influenciando a maturação dos timócitos e a atividade desses hormônios é diretamente dependente de zinco (Sprietsma,1993).

A deficiência de zinco, mesmo temporariamente, pode causar uma troca da principal atividade imune Th1 celular para resposta Th2 humoral, levando ao desenvolvimento negativo de muitas doenças (infecciosas) e, possivelmente, induzindo alergia (alimentar).

A suplementação com zinco pode restaurar as funções das células T, as quais são altamente zinco-dependente e, portanto, prejudicadas quando os níveis de zinco diminuem (Sprietsma a., Sprietsma b., 1993, Sprietsma c., 1994, Sprietsma d., 1994, Sprietsma e., 1988, Sprietsma f., 1993).

Dependendo da concentração, o zinco também protege significativamente as células da necrose e apoptose (Sprietsma a., Sprietsma b., 1994, Sprietsma, 1993, Bashford, 1986), resultado de infecções e outras formas de stress, o que leva a um aumento anormal da liberação de Interleucina 1 (IL1), especialmente quando o zinco está insuficiente (Sprietsma, 1997).

Concluindo o zinco é essencial para a manutenção do sistema imune, especialmente para a função, maturação e diferenciação das células T (Odeh, 1992). A ingestão dietética de zinco aumenta o número de células T circulantes, enquanto que sua deficiência diminui a função dessas células. A deficiência de zinco também causa atrofia do timo e nódulo linfático e pode exercer um efeito prejudicial na replicação celular, todos esses processos estão envolvidos na resposta imonológica. 

Absorção e Biodisponibilidade

A biodisponibilidade do zinco da dieta, ou seja, sua absorção, retenção e utilização, representa um fator determinante da qualidade do zinco presente nos alimentos. Entre os fatores nutricionais que mais afetam a biodisponibilidade, encontra-se o fitato (Hexafosfato de inositol), com o qual forma complexos insóluveis em baixos pH. Este fenômeno é intensificado na presença de cálcio, gerando um complexo cálcio-fitato-zinco ainda mais insolúvel.

O fitato é encontrado nos cereais e legumes. Entretanto, sabe-se que o fitato sozinho tem um pequeno efeito sobre a absorção do zinco até em proporções de 10:1 de fitato-zinco, porém, é na presença de cálcio na luz intestinal, que o fitato exerce todo o seu poder inibitório na absorção do zinco e, esta inibição, ocorre em proporções de fitato-zinco muito menores do que 10 ( Whitney, 1996).

Um interessante estudo sobre a interação entre alimentos mostrou que, o aumento de zinco plasmático após a ingestão de 120 g de ostras, uma das melhores fontes de zinco biodisponível, foi totalmente anulado pela ingestão simultanêa de 120 g de tortilha, um alimento rico em fibras e fitatos. 
Compostos de Zinco
O suplemento de zinco mais comum é o sulfato de zinco. Os sintomas colaterais mais importantes são os digestivos, como as dores abdominais por gastrite aguda, diarréia, náuseas e vômito. Sendo o sulfato de zinco um forte irritante da mucosa gástrica, era comum utilizá-lo para provocar o vômito.

Suplementos de zinco como o gluconato e o picolinato apresentam melhor tolerância gástrica. Entretanto, seu aproveitamento biológico é questionado, pois além de serem pouco absorvidos, são pouco retidos. Seu efeito colateral mais importante é o incremento da excreção, gerando balanços negativos do metal. A forma de zinco menos absorvida é óxido.

Zinco Aminoácido Quelato Albion ®

O Zinco Aminoácido Quelato Albion ® é um composto orgânico, com elevada biodisponibilidade e reduzidos efeitos colaterais. A absorção do Zinco Chelazone® , por exemplo, é de 50%, sendo considerada 2,5 vezes maior que a do sulfato de zinco e 4 vezes maior que a do óxido de zinco (Gráfico 1).

Gráfico 1: Média de Absorção (ppm) de Zinco Aminoácido Quelato Albion® comparada com outros compostos

Fonte: Ashmead, H.D. Graff, D. J., Ashmead, H.H. Intestinal absorption of metal ions and chelates. Illinois: Charles C. Thomas, 1985. Ashmead, H.D. Comparative intestinal absorption and subsequent metabolisn of metal amino acid chelates and inorganic metal salts. In subramarian, K.S et al. Biological trace element research, Washington DC, 306, 1991.

Principais Indicações

- Baixa imunidade
- Alergias
- Herpes
- Gripes e resfriados
- Infecções frequentes


* Nutricionista especializada em nutrição clínica, mestranda em nutrição humana aplicada – USP, nutricionista responsável pelo CELANEM – Centro Latino Americano de Nutrição e Estudos Metabólicos.


Referências Bibliográficas

CHANDRA, R.K. Nutrition and Immunology. Alan R. Liss, Inc. New York, 1988.

NEVES Jr., I., et al. Improvement of the lymphoproliferative immune response and apoptosis inhibition upon in vitro treatment whit zinc of peripherical blood mononuclear cells (PBMC) from HIV + individuals. Clin. Exp. Immunol., v. 111, p. 246-268, 1998.

ODEH, M. The role of zinc in acquired immunodeficieny syndrome. J. In. Med.,v., 231, p. 463-469, 1992.

RIPA, S., RIPA, R. Zinc and immune funcition. Minerva Medica, v. 86, n. 7/8, lug/ago, 1995.

SPRIETSMA, J. E. Zinc-controlled Th1/Th2 switch significantly determines developement of diseases. Medical Hypotheses, v. 49, p. 1-14, 1997.

SPRIETSMA, J. E. a Zinc deficiency predidposes to (auto) imune diseases, whether or not virus-induced, such as AIDS and cancer. Tijdscrif Integrale Geneeskunde, v. p, p. 253-273, 1994.

SPRIETSMA, J. E. b Zinc, AIDS e apoptose. Orthomoleculair, v. 12, p. 75-87, 1994.

SPRIETSMA, J. E. c Zinc deficiency promotes autoimune symptoms and cancer, as often synchonously presenting in AIDS patients. Orthomoleculair, v. 12, p. 108-117, 1994.

SPRIETSMA, J. E. Nutrients in AIDS therapy. Orthomoleculair, v.11, p. 72-79, 1993.

WHITNEY, E. N., ROLFES, S. R. Understanding Nutrition. West Publishing Company, 1996.



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