DÉFICIT DE ATENÇÃO POR HIPERATIVIDADE


   
A desatenção pode tanto manifestar-se em situações escolares, quanto nas profissionais ou sociais. As crianças com esse transtorno podem não prestar muita atenção a detalhes ou cometer erros grosseiros por falta de cuidados nos trabalhos escolares e em outras tarefas.

   O trabalho dos portadores de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade é confuso e realizado sem eticulosidade nem precisão adequadas na maioria das vezes. As pessoas, com frequência, têm dificuldade para manter a atenção em tarefas ou atividades lúdicas e consideram difícil persistir nas mesmas tarefas até seu término.

    Normalmente, essas crianças dão a impressão de estarem com a mente em outro lugar, ou de não estarem escutando o que está sendo dito. Pode haver mudanças de uma tarefa para outra, iniciam uma tarefa, passam para outra, depois voltam a atenção para umn terceira antes de completarem qualquer uma. Elas frequentemente não atendem às solicitações ou instruções, nem conseguem completar os trabalhos escolares, tarefas domésticas ou outros deveres.

    Os portadores desse transtorno são facilmente distraídos por estímulos irrelevantes e habitualmente interrompem tarefas em andamento para dar atenção a ruídos ou eventos triviais. Esquecem dos compromissos marcados e até de levar o lanche para a escola.

   A hiperatividade pode se manifestar por inquietação ou remexer-se na cadeira, por não permanecer sentado quando deveria, por correr ou subir excessivamente em coisas, quando isto é inapropriado, por dificuldade em brincar ou ficar em silêncio em atividades de lazer, por frequentemente parecer estar "a todo vapor" ou "cheio de gás",ou por falar em excesso.

    Os bebês e pré-escolares com este transtorno diferem de crianças ativas, por estarem constantemente irrequietos e envolvidos com tudo à sua volta. Andam para lá e para cá, movem-se "mais rápido que a sombra", sobem ou escalam móveis, correm pela casa e têm dificuldades em participar de atividades em grupo durante a pré-escola.

Tratamento Farmacológico

1) Estimulantes

    A partir da década de 80, ao contrário do que se pode pensar, estudos comprovaram a eficácia dos estimulantes (efeito paradoxal em crianças), no tratamento Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. A maioria dos estudos apontou para resposta moderada ou ótima em até 80% dos casos.

    Um dos estimulantes mais avaliados foi o Metilfenidato (Ritalina®), em dosagens que variaram entre 0.3 a 1 mg/Kg/dia. Também a danfetamina (Biphetamine® - EUA) nas dosagens entre 0.15 a 0.5mg/kg/dia, e com a Pemolina (Cylert® - EUA), com dosagens entre 18 a 56 mg/dia. Apenas a Ritalina® se encontra disponível no Brasil.

2) Cafeína

Nos EUA, a cafeína tem sido muito pouco utilizada para o tratamento do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade devido às facilidades para a prescrição do Metilfenidato (Ritalina®). No Brasil, a Ritalina® é muito mais difícil de ser prescrita. Há necessidade de receituário especial para entorpecentes (cor rosa), que só a Secretaria da Saúde fornece.

    Assim sendo, a cafeína pode ser muito bem utilizada com o mesmo propósito estimulante do metilfenidato. A grande maioria das crianças portadoras desse transtorno  responde muito bem ao tratamento com a cafeína, formulada em farmácias de manipulação na dose de 10 mg/kg/dia, dividido em 3 tomadas.

3) Antidepressivos Tricíclicos

    A Imipramina (Tofranil®, Imipra®) parece ser, dos tricíclicos, um dos que apresenta ótima resposta terapêutica para o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. É usado na dose de 1 e 3 mg/kg/dia. A Nortriptilina (Pamelor®) vem sendo empregada também para o tratamento desse transtorno. A dose de Nortriptilina varia entre 0.4 e 4.5 mg/kg/dia (média de 1.7mg/kg/dia), entretanto, não foram encontrados estudos prospectivos controlados avaliando seu uso no tratamento de TDAH.

4) Antidepressivos ISRS

    Exite ainda pouca experiência com os antidepressivos inibidores seletivos da recaptação da serotonina para o tratamento do Transtorno, entretanto, as perspectivas são bastante otimistas. A Fluoxetina (Prozac®, Verotina®, Daforim®, Fluxene®, Eufor®, Nortec®, Deprax®) têm sido usada com sucesso na dose de 0,5 a 1mg/Kg/dia.

5) Antipsicóticos

    Embora os antipsicóticos (Neuleptil®, Melleril®, etc.), sejam o tratamento preferido dos neurologistas para o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, a maioria dos estudos comparativos entre antipsicóticos aos estimulantes apontam quase unanimemente para uma eficácia clínica muitíssimo superior dos estimulantes. A Risperidona (Risperdal®), poderá, eventualmente, ser tentada experimentalmente.

6) Outros fármacos

    Dos outros fármacos, apenas a Carbamazepina (Tegretol®, Tegretard®) parece ter alguma eficácia para o Transtorno, quando o caso é refratário aos medicamentos anteriormente citados. Outros fármacos como os benzodiazepínicos (Valium®, Diempax®, Rivotril®), o propanolol e o carbonato de lítio não se mostram clinicamente eficazes no tratamento desse distúrbio.

Início e duração do Tratamento

    O início do tratamento deve, preferencialmente, ser precoce. Acontece que a maioria dos familiares protelam muito o tratamento por preconceito e razões culturais (onde já se viu dar esses remédios para crianças?), por razões familiares (os avós acham que os pais também eram assim quando pequenos), ou por pura ignorância.

   Esse último não é monopólio dos familiares, sendo que muitos profissionais médicos e psicólogos são completamente contrários ao tratamento medicamentoso, por completa ignorância técnica e científica.

    De qualquer maneira, a maioria dos pacientes acaba procurando um médico, de preferência um neurologista (por receio de dizer que o filho vai no psiquiatra), tão logo a professora reclame do rendimento escolar da criança. Nem mesmo as constantes queixas de comportamento sensibilizam os pais para o tratamento, mas a ameaça de perder o ano é fatal para a decisão.

    Portanto, o tratamento começa por ocasião da idade escolar, pelas razões citadas, e deve permanecer até o início da adolescência (11-13 anos). A questão mais importante no tratamento é o reconhecimento e aceitação da família quanto a essa necessidade imperiosa; não só para o bom desenvolvimento da criança, senão também para maior conforto dos pais e socialização adequada do paciente.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Essau CA; Groen G; Conradt J; Turbanisch U; Petermann F - Frequency, comorbidity and psychosocial correlates of attention-deficit/hyperactivity disorder. Results of a Bremen adolescent study. Fortschr Neurol Psychiatr, 1999 Jul, 67:7, 296-305

2. Hughes JR; Hale KL - Behavioral effects of caffeine and other methylxanthines on children. Exp Clin Psychopharmacol, 1998 Feb, 6:1, 87-95

3. Jonkman LM; Kemner C; Verbaten MN; Van Engeland H; Kenemans JL; Camfferman G; Buitelaar JK; Koelega HS - Perceptual and response interference in children with attention-deficit hyperactivity disorder, and the effects of methylphenidate. Psychophysiology, 1999 , 36:4, 419-29

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