Ortorexia nervosa o que é isso ???

Ortorexia nervosa

 

Nada como levar uma vida saudável... Para isso, a alimentação é fundamental - livre de gorduras, carnes vermelhas, alimentos transgênicos, enlatados, agrotóxicos, corantes e conservantes! No entanto, tem gente que faz da filosofia natural uma obsessão, perseguindo calorias, estabilizantes, corantes e mais qualquer substância química que faça parte da composição dos pratos. E este distúrbio tem nome, chama-se ortorexia nervosa, a mania de ser over natureba.

Ortorexia é um neologismo baseado no grego: orthós significa "correto" e "verdadeiro", enquanto oréxis quer dizer apetite. A ortorexia nervosa é um distúrbio alimentar ainda pouco conhecido. Segundo o psiquiatra e pesquisador da Universidade de Brasília Raphael Boechat, ela não figura nos manuais de psiquiatria. A doença também não é reconhecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Foi descrita pela primeira vez pelo médico americano Steven Bratman, que se descobriu ortoréxico, ou seja, "viciado em comida saudável", e cunhou o termo. Quem sofre de ortorexia segue uma ementa bastante rígida para manter o organismo livre do que considera "impurezas".

Seguindo a moda das "exias", como anorexia, a ortorexia também se insere nas chamadas "patologias culturais". É o que explica em seu artigo o psiquiatra Geraldo Ballone. "As dietas da moda, os dados alarmantes sobre o perigo dos agrotóxicos ou a existência de modos de vida social e espiritualmente alternativos acabam contribuindo para uma busca cada vez mais obsessiva por alimentos saudáveis, como é o caso dos orgânicos, livres de pesticidas".

Além de ler rótulos, meu pai tem mania de pesquisar, inclusive na internet, sobre os ingredientes dos produtos industrializados. Cada hora cisma com uma coisa diferente

 

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Estilo de vida

O fotógrafo Juan Moniz, por exemplo, sempre foi partidário do binômio "paz e amor", acreditando que uma vida saudável é sinônimo de saúde do corpo e do espírito. Após entrar para a faculdade de medicina veterinária, decidiu seguir uma dieta macrobiótica, baseada no trio frutas, legumes e verduras. Tudo orgânico, diga-se de passagem. Nada de carnes, a não ser alguns tipos de peixe preparados de forma saudável. Ele deu adeus, também, aos ovos, açúcar, gorduras e aditivos químicos, como os corantes. Seguindo essa fórmula, Juan acredita que pode viver mais tempo, cheio de saúde.

A filha do fotógrafo, Renata Moniz, enxerga benefícios nos estilo de vida que o pai adotou "Perto dos homens de mesma idade, ele parece um garotão. A pele e os cabelos são lindos e vejo que isso está relacionado à alimentação saudável que ele sempre seguiu, agora com menos paranóia".

Shyrley Ciconha, esteticista, mantém uma alimentação rica em grãos, verduras e legumes há 10 anos. Na sua dieta, carnes estão fora de cogitação. "Sentia muitos incômodos, como gases, na época em que eu comia carne. Depois que estudei sobre as dietas ortomoleculares, descobri que a carne e o leite demoram 12 horas para serem digeridos. E, de fato, quando deixei de comer esse tipo de alimento, senti uma melhora muito grande na minha saúde". O mesmo se aplica a Bruno Fernandes, que trabalha no Projeto Terrapia, da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio, em defesa de "alimentos vivos", ou seja, crus. Bruno, que é crudívoro (quem só se alimenta de crus), ingere frutas, legumes, verduras, raízes e sementes germinadas. "Recuso alimentos artificiais, congelados, cozidos... O homem é o único animal que cozinha e congela o que come. Dessa forma, ele desvitaliza o alimento", defende Bruno. Segundo ele, consciência é fundamental na hora de optar pelo alimento que se consome. É claro que uma alimentação natural tem benefícios comprovados, mas, quando saúde se torna obsessão...

Naturebas ao extremo

Os ortoréxicos são extremamente rígidos e neuróticos com seus hábitos alimentares. Segundo a definição de Steven Bratman, passam o dia preocupados com isso e planejam detalhadamente os menus das próximas horas. Nas compras, não poupam tempo: gastam horas e horas percorrendo as prateleiras de supermercados e lêem rótulos de produtos com toda a dedicação. "Além de ler rótulos, meu pai tem mania de pesquisar, inclusive na internet, sobre os ingredientes dos produtos industrializados. Cada hora cisma com uma coisa diferente. O inimigo número um tem sido o ciclamato de sódio, presente em refrigerantes. Ele não dá paz para ninguém perto dele beber um refri. É ele, também, quem monitora a compra de bolos e tortas na família. Tem lugares que fazem o doce com muita gordura trans, aí ele se recusa a comprar. E dá puxão de orelha em quem compra!", conta Renata Moniz.

Com tantas manias, o ortoréxico, segundo afirmam psicólogos, não percebe que está exagerando na "alimentação saudável" e pode acabar se recusando a comer fora - seja em restaurantes ou na casa de amigos e parentes -, com medo dos pratos que serão servidos não se adequarem à sua dieta.

O administrador Francisco de Alcântara conta que seu pai, por exemplo, sempre examinou muito bem o que ia comer. Era cismado em relação à manipulação dos alimentos nas padarias ou nas fábricas, e, também, nos restaurantes ou na casa dos outros. "Carne, vermelha ou branca, nem pensar. Pão, só se fosse torrado. Cada vez que íamos visitá-lo, ele dizia que não comia mais isso ou aquilo. As únicas coisas que entravam em suas refeições, sem problemas, eram arroz, feijão, legumes, soja e seus derivados. Quando eu insistia, ele comia alimentos embalados semi-prontos, como creme de espinafre e batatas. Sempre, é claro, após analisar o conteúdo nos rótulos. Gostava de conservar os alimentos prontos em tigelas de inox, mas sem misturá-los no mesmo recipiente, porque poderiam se contaminar", lembra Francisco.

Para um ortoréxico, cozinhar pode ter tantas regras quanto um jogo. "Meu pai só cozinhava nessa ou naquela panela. E, se ela fosse usada para cozinhar carne, tinha que limpá-la bem, imediatamente. Só consumia água mineral, até mesmo para ferver os alimentos, porque não confiava na do filtro, muito menos na da pia", comenta Francisco, completando: "Meu pai não tinha a menor preocupação em utilizar temperos que tornassem a comida mais saborosa e visualmente atraente".

No final das contas, para quem tem ortorexia, segundo Steven Bratman, comer acaba sendo mais uma necessidade fisiológica do que um prazer. Assim, o ortoréxico vai se isolando cada vez mais. Prefere comer sozinho. A vida social começa a ficar prejudicada, porque a pessoa afetada vai se distanciando de seus familiares e amigos, podendo se tornar irritadiça e amarga. "Quando isso acontece, a ortorexia ganha as mesmas proporções de um transtorno alimentar como a anorexia e a bulimia", escreve o médico americano em seu site (http://www.orthorexia.com).

É ortorexia, e não anorexia

Como se vê, na vida do ortoréxico tudo gira em torno da comida. A obsessão pela qualidade também se reflete nos gastos. Ele se dispõe a gastar muito dinheiro se confirmada a qualidade nutritiva do alimento. Isso é, justamente, o que distingue ortorexia de anorexia. De acordo com o Dr. Raphael Boechat, quem tem anorexia é muito mais preocupado com a quantidade, já que procura emagrecer a todo custo, mesmo estando só carne e osso, enquanto que o ortoréxico foca a qualidade. A ortorexia não recusa, mas seleciona, ao extremo, os alimentos. Muitos preferem, inclusive, não se alimentar a recorrer à comida que considerem "impura" e prejudicial à sua saúde. E têm orgulho disso.

Por cima da carne seca

Os ortoréxicos se sentem o máximo por seguir uma "dieta saudável" e querem transformar os hábitos de toda a família e amigos. "Eu só fui comer açúcar com cinco anos de idade e minhas festinhas de aniversário nunca tinham doces. Hoje em dia, meu pai nem é tão radical, mas houve épocas em que rolavam brigas por causa das restrições. Quando ele pegava minha avó dando bolo escondido para mim e para o meu irmão, vinha um baita sermão!", diz Renata. E garante: "Até hoje bebo café sem açúcar e não costumo adoçar as coisas. Penso em passar alguns hábitos alimentares que tive para os meus filhos, porque sei que são saudáveis. Mas sem manias".

Tiro pela culatra

De fato, a obsessão em manter uma dieta saudável pode ter o efeito contrário: além de causar danos psicológicos, pode levar a uma alimentação desequilibrada. "Quando se retira do cardápio, além da carne, todos os laticínios e ovos, cai substancialmente a ingestão de vitamina B12, cálcio, zinco e ferro na sua forma mais facilmente absorvível pelo organismo", afirma a nutricionista Amanda Epifanio, do Centro Integrado de Terapia Nutricional, em São Paulo.

Caso o ortoréxico não substitua os alimentos que deixa de consumir por outros de igual teor nutritivo, podem ocorrer sérios prejuízos à saúde. Entre os problemas, estão a anemia e a carência vitamínica, segundo informa o nutricionista George Guimarães. Além disso, a falta de cálcio, presente em abundância nos laticínios, pode constituir, segundo Amanda Epifanio, sério risco à saúde óssea, gerando osteoporose.

Saindo dessa

Não se pode dizer que a ortorexia é um problema isolado. Segundo o Dr. Raphael Boechat, a obsessão por uma alimentação saudável é apenas o indício de uma desorganização interna maior e mais complexa. Para tratar o ortoréxico, portanto, é preciso investigar os motivos de sua obsessão para, então, desestimular as práticas exageradas e radicais, muitas vezes associadas a outros distúrbios, como o transtorno obsessivo compulsivo.

O acompanhamento psicológico, em sintonia com a reeducação alimentar, é a chave para ajudar os ortoréxicos a se livrarem se suas obsessões. É o que afirma o nutricionista George Guimarães. "É preciso provocar uma reflexão na pessoa, além de ajudá-la a montar um cardápio mais saudável", garante. Ele ensina que, para quem não quer comer carne, as proteínas nela contidas devem ser substituídas pelas proteínas de leguminosas, castanhas e vegetais verde-escuros. "Não adianta deixar de comer abacate porque tem gordura. Pelo contrário: se a pessoa não come carne, por exemplo, a gordura do abacate é essencial para uma dieta saudável", afirma o nutricionista.

"Mesmo seguindo uma dieta à base de verduras e legumes, sei da importância dos nutrientes de outros tipos de alimento. Por isso, não abro mão da soja, que, substituindo a carne, me oferece proteínas", explica a esteticista Shirley Ciconha. Bruno Fernandes dá a dica "É possível preparar ótimos pratos como pizza, salgados, tortas, doces, só que de formas diferentes. Substituo o menos saudável pelo saudável, ingerindo todos os nutrientes vitais ao organismo" Palavra de chef, já que Bruno trabalhou durante bom tempo em um bistrô de alimentos crus.

Naturalista sem exageros

Para ajudar a manter uma dieta equilibrada, o Bolsa de Mulher reuniu algumas dicas de nutrição para você:

- Prefira pães, massas e arroz integrais.
- Consuma peixes ou frango caipira, que não contêm hormônios.
- Os alimentos orgânicos são uma boa pedida; evite os industrializados.
- Se não quiser tomar leite, procure comer queijo branco, ricota ou iogurte natural
- Como ninguém é de ferro, doces, carne vermelha, enlatados e frituras, no final de semana, com moderação!

Uma alimentação saudável, até mesmo vegetariana, não é sinônimo de ortorexia. É preciso apenas não ultrapassar os limites. Como sabemos, dosar e, acima de tudo, usar o bom senso, sempre foram regras básicas para uma vida saudável em todos os aspectos.



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