Consulta médica Vs Exames e Laboratório

Triste, mas esta historinha (com h mesmo, pois ela acontece todos os dias), demonstra bem como a boa medicina está sendo destruída pela propaganda enganosa do “exame que mostra tudo”, do conceito de médicos e pacientes de que exames sem o devido raciocínio clínico podem resolver seus problemas e protegê-los do erro médico e de como a medicina e o convênio que você paga fica cada vez mais caro por conta dos custos e gastos inúteis com exames e procedimentos desnecessários!
 
Uma Consulta Anacrônica
 
O médico anacrônico puxou, com os dedos, a pálpebra inferior da paciente, para verificar se ela estava corada. Aproveitou para certificar-se que não havia icterícia, e que as mucosas brilhantes e úmidas confirmavam seu bom estado de hidratação.
Com o auxílio de uma lanterna, verificou a simetria e os reflexos pupilares. Pediu para ela abrir a boca e mostrar a língua, e deu uma olhada rápida no estado dos dentes e da mucosa oral. Depois, olhou o pescoço à procura de alguma alteração e apalpou a glândula tireóide.
Enquanto a paciente se despia, sentiu aquele suave aroma de banho recém-tomado, cheiro de sabonete e xampú, não mascarados por perfumes em excesso. Por um instante, lembrou-se que o olfato e paladar eram os sentidos que os médicos menos costumam usar, mas pelo menos a paciente não tinha hálito cetótico nem hepático.
Reparou que o estado nutricional da paciente era bom, sem excesso de gordura nem flacidez muscular. As mamas, pouco assimétricas mas com o caimento fisiológico e proporções naturais, claramente não tinham próteses implantadas, nem retração dos mamilos.
A postura era normal, sem escoliose ou outros desvios da coluna. As unhas bem tratadas, sem distrofias, mostravam aquele rosado normal por trás do esmalte translúcido, e as polpas digitais mostravam uma perfusão sanguínea adequada, com rápido retorno à cor normal após a breve apalpação.
A pele não tinha manchas, piercings nem tatuagens - raridade nos dias de hoje.  Apalpou os pulsos radiais, carotídeos, femorais e pediosos, comparou sua amplitude em ambos os lados do corpo para certificar-se não haver sinais de obstrução ou coarctação de aorta.
Contou a frequência cardíaca e evaliou o ritmo, percebendo não haver pausas ou extra-sístoles. Pegou o seu estetoscópio e esfigmomanômetro, aferiu a pressão arterial com a paciente deitada e depois de pé. Com a palma da mão, localizou o ictus cordis e o frêmito tóraco-vocal. Aqueceu a campânula do esteto e auscultou minuciosamente o coração e o trajeto das carótidas à procura de sopros, atritos ou abafamentos.
Com os dedos indicador de uma mão e médio da outra, percutiu os espaços intercostais - som claro pulmonar. Auscultou o murmúrio vesicular. Pediu para a paciente inspirar e expirar pela boca, enquando verificava se havia algum sopro tubário ou anfórico. Viu que o movimento da caixa torácica era normal, com uma boa expansibilidade. Pediu para que ela falasse "trinta e três", atento para uma eventual pectorilóquia ou voz caprina.
Apalpou as cadeias ganglionares cervicais, axilares e inguinais e não encontrou sinais de adenomegalias.
Apalpou e percutiu o abdome, caracterizou o tamanho aproximado do fígado, suas bordas - se rombas ou não, o baço e os rins. Percutiu as lojas renais - sinal de Giordano negativo! Constatou não haver nenhuma massa abdominal anormal palpável.
Pediu para a paciente caminhar pela sala, observando a marcha, o equilíbrio e o movimento das articulações. Pediu para a paciente sentar-se na maca e com o auxílio de um martelo de borracha conferiu os reflexos osteotendinosos: bicipitais, tricipitais, patelares.
Colocou-a de joelhos, na cadeira, e avaliou os reflexos aquileus. Passou a ponta da tampa da caneta Bic na planta dos pés de rotina, mesmo sabendo que não iria se deparar com o sinal de Babinski. Testou o equilíbrio com olhos abertos e depois fechados, a coordenação de movimentos. Testou a força muscular de preensão, a força de flexão e extensão contra-resistência.
Parecia tudo absolutamente normal. Foi aí que o médico anacrônico, ligando esses dados com a anamnese que havia antecedido o exame físico, em que a paciente havia lhe contado detalhadamente as características de seus sintomas, concluiu que a paciente não estava com nenhuma doença grave e decidiu tranquilizá-la, dizendo não haver necessidade de nenhum exame complementar além daqueles normais que ela havia feito há 2 semanas a pedido de outros médicos e que ele vira de relance antes de examiná-la. Recomendou exercícios físicos, orientou uma dieta adequada, além de cuidados para garantir um sono tranquilo e controle do stress, e pediu para que retornasse após um mês ou antes, se surgissem sintomas novos.
Receitou alguns sintomáticos, mas para usar somente se necessário.
A paciente saiu desapontada, pensando que especialista ela poderia procurar agora e que pudesse lhe pedir uma ressonância magnética do corpo inteiro ou algum outro exame mais moderno, para achar aquela doença que o médico anacrônico não foi capaz de encontrar. Afinal, um médico que nem pede exames modernos e caros certamente deve estar ultrapassado...



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